Devocional
2 Pedro 1: A Escada Que Sobe da Fé ao Amor
Por isso, vocês precisam acrescentar à sua fé a virtude; à virtude o conhecimento;
2 Pedro 1:5 (ONBV)
Capítulo completo — 2 Pedro 1
2 Pedro 1
ONBV
1Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, a todos vocês que por meio da justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo receberam a fé que é preciosa como a nossa! 2Que a graça e a paz aumentem cada vez mais, pelo grande conhecimento de Deus e de Jesus Cristo, o nosso Senhor. 3Porque, à medida que vocês o conhecerem melhor, ele lhes dará, por intermédio do seu grande poder, tudo quanto vocês necessitam para viverem uma vida cheia de piedade; ele nos chamou a sermos participantes da sua própria glória e virtude!
4E por esse mesmo grandioso poder ele nos concedeu todas as suas ricas e maravilhosas promessas, para nos salvar da imoralidade e dos desejos deste mundo, e fazer-nos participantes da natureza divina. 5Por isso, vocês precisam acrescentar à sua fé a virtude; à virtude o conhecimento; 6ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a piedade;
7à piedade a amizade cristã; e à amizade cristã o amor. 8Quanto mais seguirem nesse caminho, tanto mais vocês ficarão fortes espiritualmente, e se tornarão frutíferos e úteis no pleno conhecimento do nosso Senhor Jesus Cristo. 9Mas qualquer um que deixar de seguir estes complementos da fé enxerga só o que está perto, e se esquece de que Deus o libertou da velha vida de pecado.
10Portanto, queridos irmãos, trabalhem com ardor para provar que vocês estão realmente entre aqueles que Deus chamou e escolheu, e assim vocês nunca abandonarão a fé. 11E Deus abrirá as portas do céu para que vocês entrem no Reino eterno do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 12Meu plano é continuar a relembrar-lhes estas coisas, embora vocês já as saibam e estejam realmente firmados na verdade!
13Enquanto ainda estiver aqui na terra, no tabernáculo deste corpo, pretendo continuar lembrando-lhes destas coisas. 14O Senhor Jesus Cristo, porém, mostrou-me que os meus dias aqui na terra já estão contados e que em breve deixarei este tabernáculo. 15Espero gravar estas coisas tão claramente em vocês que se lembrarão delas muito tempo depois da minha partida.
16Porque nós não temos contado fábulas a vocês quando lhes explicamos o poder do nosso Senhor Jesus Cristo e da sua vinda. Nossos próprios olhos viram o esplendor da sua majestade, 17pois ele recebeu honra e glória da parte de Deus, o seu Pai, quando pela suprema glória lhe foi dirigida a voz dizendo: “Este é o meu Filho muito amado, em quem me agrado”. 18Nós mesmos ouvimos essa voz vinda dos céus quando estávamos com ele no monte sagrado.
19Portanto, nós vimos e tivemos a prova de que tudo quanto os profetas disseram cumpriu-se. Vocês farão bem em prestar toda a atenção a tudo o que eles escreveram, como luzes que brilham em lugares escuros até que o dia clareie e a estrela que anuncia uma nova manhã brilhe em seus corações. 20Acima de tudo, saibam que nenhuma profecia da Escritura jamais foi inventada pelo próprio profeta. 21Porque jamais uma profecia veio da vontade humana. Foi o Espírito Santo quem lhes concedeu mensagens verdadeiras da parte de Deus.
Observação
Um homem que sabe a data aproximada do próprio fim escolhe as palavras com economia. Pedro diz que o Senhor lhe mostrou que seus dias estão contados (v. 14), e a carta inteira ganha o tom de quem arruma a casa antes de sair. Ele não inventa novidade. Promete repetir o que os leitores já sabem, “embora vocês já as saibam e estejam realmente firmados na verdade” (v. 12), porque memória se constrói com insistência.
O ponto de partida é uma lista de dons já entregues: “tudo quanto vocês necessitam para viverem uma vida cheia de piedade” (v. 3). Quem lê com pressa pula para a escada dos versos 5 a 7 e esquece que ela começa depois de uma entrega. Deus deu primeiro, e só então manda acrescentar.
A escada tem oito pontos: fé, virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, amizade cristã e amor. O verbo que Pedro usa pede esforço (“trabalhem com ardor”, v. 10), e cada degrau se apoia no anterior. A fé abre a lista e o amor a fecha, e entre os dois cabe uma vida inteira de treino.
O contraste vem no verso 9. Quem não tem essas coisas “enxerga só o que está perto”, e a miopia vem acompanhada de amnésia: esquece que foi libertado da velha vida. O pecado que Pedro descreve começa como falta de memória.
A segunda metade do capítulo muda de cenário. Pedro lembra o monte onde ouviu a voz do Pai dizer “Este é o meu Filho muito amado” (v. 17-18) e arremata com a imagem da profecia como luz “em lugares escuros até que o dia clareie” (v. 19). Ele fecha afirmando que nenhuma profecia nasceu da vontade humana, e que foi o Espírito quem falou (v. 21).
Aplicação para Vida
Acrescentar é uma palavra que a gente subestima. Cresci achando que amadurecer fosse trocar uma coisa por outra, abandonar o velho e vestir o novo de uma vez. Pedro descreve um processo mais lento: pega a fé que você já tem e põe mais uma camada em cima dela, sem demolir nada.
Olho para a escada e vejo onde costumo escorregar. Tenho conhecimento de sobra, leio, ouço, anoto, e a distância entre o que sei e o domínio próprio que Pedro pede logo depois é a minha distância mais honesta. Saber não segura a língua nem fecha o computador à meia-noite.
O degrau que mais me incomoda é o da perseverança, no meio do caminho. Fé e amor rendem boas frases. Perseverança rende a terça-feira em que nada acontece e você continua mesmo assim. Pedro a coloca antes da piedade e da amizade cristã, e isso me diz que o amor que ele quer no fim da escada é feito de dias repetidos.
Há também a insistência de Pedro em repetir. Ele sabe que os leitores já conhecem tudo aquilo e escreve de novo. Aprendi a desconfiar da minha ânsia por conteúdo novo, porque quase sempre o que me falta é lembrar o que já recebi, com a mesma teimosia de quem escreve uma carta de despedida.
O dia ainda vai clarear. Até lá, a Palavra é o lampião aceso no corredor escuro, e hoje eu subo um degrau só.
Oração
Pai, eu comecei pela fé e fiquei por ali muito tempo, achando que o resto viria sozinho. Nunca veio. Mostra-me qual degrau eu venho pulando, porque eu sei que existe um, e sei também que tu já deixaste na minha mão o que preciso para alcançá-lo.
Eu esqueço depressa. Esqueço de onde me tiraste, esqueço o que prometeste, esqueço até o que li ontem. Tu mandaste Pedro repetir a mesma coisa até a gente não conseguir mais não ouvir. Repete comigo, de novo, sem cansar.
E quando a noite estiver comprida, deixa a tua palavra acesa no corredor, pequena que seja. Eu aguardo a estrela da manhã. Enquanto ela não vem, me ensina a andar no escuro com a luz que tenho. Amém.