Deserto árido sob céu azul com dunas ao longe, cenário que remete ao deserto onde João Batista pregou arrependimento e preparou o caminho do Senhor

Devocional

Lucas 3: A Voz Que Prepara o Caminho no Deserto

4 min de leitura

Versículo-chave

Primeiramente deem frutos que mostrem que vocês realmente se arrependeram.

Lucas 3:8 (ONBV)

Capítulo completo — Lucas 3

Lucas 3

ONBV

1No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério César, Pilatos era governador da Judeia; Herodes, o tetrarca da Galileia; seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e Traconites; e Lisânias, tetrarca de Abilene; 2Anás e Caifás eram os sumos sacerdotes judaicos. Foi nesse ano que veio uma mensagem do Senhor a João, filho de Zacarias, enquanto ele estava no deserto. 3Então João ia de lugar em lugar, em ambos os lados do rio Jordão, pregando que as pessoas deviam batizar-se para mostrar que se haviam voltado para Deus e abandonado seus pecados, a fim de serem perdoadas.

4Como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: “Ouçam! Estou ouvindo uma voz que clama: ‘Preparem um caminho para o Senhor através do deserto; preparem um caminho reto e plano no deserto para o nosso Deus. 5Aterrem os vales, nivelem os montes e colinas; endireitem os caminhos tortos e deixem perfeitamente planos os lugares por onde ele passar. 6A glória do Senhor será revelada e vista por todos as pessoas’ ”.

7João dizia às multidões que vinham para o batismo: “Filhos de serpentes! Vocês estão procurando escapar do terrível castigo sem voltar-se verdadeiramente para Deus! É por isso que estão querendo batizar-se! 8Primeiramente deem frutos que mostrem que vocês realmente se arrependeram. E não pensem que estão livres porque são da família de Abraão. Isso não basta. Destas pedras do deserto Deus pode fazer nascer filhos de Abraão! 9O machado do seu julgamento está posto à raiz das árvores. Sim, toda árvore que não der bom fruto será derrubada e atirada no fogo”.

10A multidão perguntou: “O que devemos fazer?” 11“Se alguém tem duas túnicas”, respondeu ele, “dê uma a quem não tiver nenhuma. Quem tiver comida de sobra, dê àqueles que estão com fome”. 12Até os cobradores de impostos vieram para serem batizados. Eles perguntaram: “Mestre, o que devemos fazer?”

13Ele respondeu: “Cuidem para que não cobrem mais impostos do que o governo romano exige de vocês”. 14“E nós”, perguntaram alguns soldados, “o que devemos fazer?” João respondeu: “Não tomem dinheiro com ameaças nem violência; não acusem ninguém falsamente; contentem-se com o seu salário!” 15Todos estavam esperando que o Messias chegasse em breve, e estavam impacientes para saber se João era ele, ou não.

16João respondeu a todos: “Eu os batizo com água; mas em breve virá alguém que tem autoridade muito maior do que a minha; de fato, eu não sou digno nem de desamarrar as correias das suas sandálias. Ele batizará vocês com o Espírito Santo e com fogo. 17Ele traz a pá em sua mão, a fim de separar a palha do trigo, armazenar o trigo e queimar a palha com fogo que nunca se apaga”. 18João fazia muitas outras advertências e anunciava a boa-nova ao povo.

19Mas, depois que João repreendeu publicamente Herodes, o tetrarca, governador da Galileia, por ter se casado com Herodias, esposa do seu próprio irmão, e por muitas outras maldades que ele tinha praticado, 20Herodes prendeu João na cadeia, acrescentando assim mais esse pecado a todos os outros. 21Então um dia o próprio Jesus juntou-se ao povo que era batizado por João. E depois que ele foi batizado, e estava orando, os céus se abriram,

22e o Espírito Santo desceu sobre ele na forma de uma pomba, e uma voz do céu disse: “Você é meu Filho muito amado; em você está o meu prazer”. 23Jesus estava com cerca de 30 anos de idade quando começou o seu ministério público. Jesus era conhecido como o filho de José; o pai de José foi Heli; 24o pai de Heli foi Matã; o pai de Matã foi Levi; o pai de Levi foi Melqui; o pai de Melqui foi Janai; o pai de Janai foi José;

25o pai de José foi Matatias; o pai de Matatias foi Amós; o pai de Amós foi Naum; o pai de Naum foi Esli; o pai de Esli foi Nagaí; 26o pai de Nagaí foi Maate; o pai de Maate foi Matatias; o pai de Matatias foi Semei; o pai de Semei foi Joseque; o pai de Joseque foi Jodá; 27o pai de Jodá foi Joanã; o pai de Joanã foi Ressa; o pai de Ressa foi Zorobabel; o pai de Zorobabel foi Salatiel; o pai de Salatiel foi Neri;

28o pai de Neri foi Melqui; o pai de Melqui foi Adi; o pai de Adi foi Cosã; o pai de Cosã foi Elmadã; o pai de Elmadã foi Er; 29o pai de Er foi Josué; o pai de Josué foi Eliézer; o pai de Eliézer foi Jorim; o pai de Jorim foi Matate; o pai de Matate foi Levi; 30o pai de Levi foi Simeão; o pai de Simeão foi Judá; o pai de Judá foi José; o pai de José foi Jonã; o pai de Jonã foi Eliaquim;

31o pai de Eliaquim foi Meleá; o pai de Meleá foi Mená; o pai de Mená foi Matatá; o pai de Matatá foi Natã; o pai de Natã foi Davi; 32o pai de Davi foi Jessé; o pai de Jessé foi Obede; o pai de Obede foi Boaz; o pai de Boaz foi Salá; o pai de Salá foi Naassom; 33o pai de Naassom foi Aminadabe; o pai de Aminadabe foi Admin; o pai de Admin foi Arni; o pai de Arni foi Esrom; o pai de Esrom foi Perez;

34o pai de Perez foi Judá; o pai de Judá foi Jacó; o pai de Jacó foi Isaque; o pai de Isaque foi Abraão; o pai de Abraão foi Terá; o pai de Terá foi Naor; 35o pai de Naor foi Serugue; o pai de Serugue foi Ragaú; o pai de Ragaú foi Faleque; o pai de Faleque foi Éber; o pai de Éber foi Salá; 36o pai de Salá foi Cainã; o pai de Cainã foi Arfaxade; o pai de Arfaxade foi Sem; o pai de Sem foi Noé; o pai de Noé foi Lameque;

37o pai de Lameque foi Metusalém; o pai de Metusalém foi Enoque; o pai de Enoque foi Jarede; o pai de Jarede foi Maalaleel; o pai de Maalaleel foi Cainã; 38o pai de Cainã foi Enos; o pai de Enos foi Sete; o pai de Sete foi Adão; o pai de Adão foi Deus.

Observação

Uma voz rompe o silêncio do deserto. Depois de séculos sem profetas, Deus envia João, filho de Zacarias, para falar a um povo religioso por fora e vazio por dentro. Lucas crava a data com precisão de historiador: décimo quinto ano de Tibério, Pilatos na Judeia, Anás e Caifás como sumos sacerdotes (v. 1-2). O tempo e o poder tinham nome; a palavra de Deus, porém, preferiu o deserto.

João não oferece conforto barato. Chama a multidão de “filhos de serpentes” e exige frutos que provem arrependimento real (v. 7-8). Ser filho de Abraão não era escudo; Deus podia fazer filhos das pedras do deserto. O machado já estava posto à raiz (v. 9).

O povo pergunta: “O que devemos fazer?” João responde com ética concreta: dividir a túnica e a comida, não cobrar imposto a mais, não usar violência, contentar-se com o salário (v. 10-14). Arrependimento, para João, vestia-se de generosidade e justiça, não de rito.

Quando o Messias chega, João aponta para fora de si: “eu não sou digno nem de desamarrar as correias das suas sandálias” (v. 16). Ele batiza com água; Jesus batizará com Espírito e fogo. E no batismo de Jesus, os céus se abrem: “Você é meu Filho muito amado” (v. 22).

A genealogia que fecha o capítulo desce de Jesus até Adão e Deus (v. 23-38). O caminho aberto no deserto liga o Filho de Deus a toda a humanidade.

Aplicação para Vida

Eu já confundi presença religiosa com transformação. O texto me confronta: João não aceitava o batismo como fuga, e sim como fruto visível de mudança (v. 8). A pergunta honesta é o que eu produzo, não o que eu declaro.

As respostas de João são assustadoramente práticas. Dividir o que sobra, não tirar vantagem do cargo, não usar de força, contentar-se com o próprio salário (v. 11-14). Arrependimento não é emoção passageira; é reorganizar o bolso, a boca e o poder.

João me ensina também a apontar para Jesus e não para mim. Diante da multidão que o confundia com o Messias, ele recusou o palco: “não sou digno nem de desamarrar as correias das suas sandálias” (v. 16). Toda vocação verdadeira é seta, não alvo.

E há a voz sobre o Filho amado (v. 22). Antes de qualquer obra, Jesus ouve que é amado. Minha identidade não nasce do que eu faço para Deus, mas do que ele já disse sobre mim em Cristo. O deserto onde Deus fala ainda está aberto; ele continua aterrando vales e endireitando caminhos tortos.

Oração

Pai, a voz de João ainda ecoa no meu deserto, e ela me pergunta onde estão os frutos. Não quero me esconder atrás da minha linhagem, do meu histórico, das minhas boas intenções. Mostra-me a árvore que precisa dar fruto e o machado que já está na raiz.

Tu não pedes grandes gestos; pedes uma túnica dividida, um imposto honesto, uma mão que não ameaça. Ensina-me a viver o arrependimento no concreto, no que sobra da minha mesa e no que sai da minha boca.

Quando eu for tentado a ocupar o teu lugar, lembra-me de João, que não era digno nem de desamarrar as sandálias de Cristo. E sopra de novo sobre mim a voz que ouviu teu Filho: sou amado, e em mim tu tens prazer. Que essa identidade endireite os caminhos tortos por onde eu andar.

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