Estou fazendo um trabalho muito importante! Não vejo motivo para suspender o trabalho e ir conversar com vocês.
— Neemias 6:3 (ONBV)
📜 Capítulo Completo — Neemias 6▼
1 Quando Sambalate, Tobias, Gesém, o árabe, e os outros dentre os nossos inimigos descobriram que já havíamos quase completado a reconstrução do muro, e que não havia nenhuma brecha, se bem que ainda não tínhamos colocado todas as portas dos portões nos seus lugares,2 eles me mandaram o seguinte recado: “Venha, vamos nos encontrar numa das vilas na campina de Ono”. Mas compreendi que planejavam me fazer mal;3 por isso respondi, mandando este recado: “Estou fazendo um trabalho muito importante! Não vejo motivo para suspender o trabalho e ir conversar com vocês”.4 Quatro vezes eles mandaram o mesmo recado, e sempre dei a mesma resposta.5 Da quinta vez, o ajudante de Sambalate veio com uma carta aberta na mão,6 que dizia assim: “Gesém me diz que por toda parte aonde ele vai, ouve dizer que os judeus planejam uma revolta, e é por isso que vocês estão construindo o muro. Ele afirma que você planeja ser o rei deles. Isso é o que andam dizendo por aí.7 Ele também conta que você nomeou profetas que fazem campanha a seu favor em Jerusalém, dizendo: ‘Olhem! Há um rei em Judá!’ Você pode ficar certo de que vou levar essas notícias ao conhecimento do rei Artaxerxes! Por isso, vamos nos encontrar e conversar a respeito dessa situação”.8 Minha resposta foi esta: “Você sabe que está mentindo. Não há qualquer verdade em toda essa história.9 Você está apenas tentando intimidar-nos para que paremos a nossa obra”. Eu, porém, orei pedindo: “Ó Senhor Deus, por favor, dê-me forças!”10 Alguns dias mais tarde fui visitar Semaías, filho de Delaías, que era filho de Meetabel, pois ele me disse que tinha recebido uma mensagem de Deus. “Vamos esconder-nos no templo e trancar bem a porta”, exclamou, “pois esta noite eles vêm para matar você”.11 Eu, porém, respondi: “Eu, o governador, deveria fugir do perigo? Não sou sacerdote; por isso, se entrar no templo, estarei sujeito a perder a vida. Não, eu não vou fazer isso!”12 Então vi que Deus não tinha falado com ele, porém Tobias e Sambalate tinham contratado Semaías13 para me assustar e fazer com que eu pecasse, fugindo para dentro do templo. Então eles poderiam fazer acusação contra mim e desacreditar-me.14 Eu orei: “Ó meu Deus, não se esqueça de todo o mal feito por Tobias, Sambalate e a profetisa Noadia, e de todos os outros profetas que me tentaram intimidar”.15 Finalmente o muro foi terminado no vigésimo quinto dia de elul, exatamente cinquenta e dois dias depois que começamos!16 Quando todos os nossos inimigos e as nações vizinhas ouviram essa notícia, ficaram com medo e humilhados, e reconheceram que a obra tinha sido feita com o auxílio de nosso Deus.17 Durante aqueles cinquenta e dois dias muitas cartas iam e vinham entre Tobias e os ricos políticos de Judá,18 pois muitos em Judá haviam jurado lealdade a ele porque o sogro dele era Secanias, filho de Ara, e seu filho, Joanã, havia se casado com a filha de Mesulão, filho de Berequias.19 Todos eles me disseram que Tobias era um homem excelente, contando também a Tobias tudo quanto eu disse; e Tobias me mandou muitas cartas com ameaças, a fim de me intimidar.
ONBV
🔍 Observação
A quinta carta chegou aberta, pronta para ser lida em voz alta. Sambalate já tinha mandado quatro convites para uma conversa na campina de Ono; Neemias recusara todos. Agora a estratégia mudava: se ele não descesse por vontade própria, seria empurrado pelo medo e pela vergonha.
O capítulo expõe três frentes de ataque contra a obra. Primeiro, a distração disfarçada de diplomacia (v. 2). Depois, a acusação falsa espalhada em carta aberta (v. 6-7). Por fim, o conselho religioso corrompido: um profeta contratado sugere que Neemias se esconda no templo (v. 10). Cada golpe mirava o mesmo alvo — tirá-lo do muro.
A resposta de Neemias é curta e inegociável: “Estou fazendo um trabalho muito importante” (v. 3). Ele não desceu para argumentar. Quando percebeu que Semaías mentia, não discutiu teologia; discerniu que “Deus não tinha falado com ele” (v. 12). E, nos dois momentos de pressão, fez a mesma coisa: orou pedindo forças (v. 9, 14).
O muro ficou pronto em cinquenta e dois dias (v. 15). A conclusão veio com uma assinatura visível: os inimigos reconheceram que a obra fora feita “com o auxílio de nosso Deus” (v. 16). A perseverança de Neemias era fidelidade a uma vocação que não podia parar para agradar ninguém.
💡 Aplicação para Vida
Eu conheço o convite para descer do muro. Ele raramente chega como ameaça; quase sempre chega como oportunidade, uma conversa, uma reunião que “só vai levar um minutinho”. Neemias me ensina a reconhecer a distração vestida de cortesia.
Há também a carta aberta: o medo do que vão dizer. Sambalate espalhou que Neemias queria ser rei (v. 6). Neemias continuou a obra e entregou a reputação a Deus na oração. Nem toda acusação merece uma audiência.
O teste mais sutil foi o conselho piedoso. Semaías citou Deus para convencer Neemias a fugir (v. 10). Discernimento espiritual é perceber quando uma voz que usa o nome de Deus aponta para longe da obediência. Neemias mediu o conselho pela Palavra e pela missão recebida.
Cinquenta e dois dias bastaram para terminar o muro porque ninguém desceu. Minha obra — a família, o chamado, o caráter — também se constrói dia após dia, sem interrupção. O muro que Deus me confiou ainda pode ser concluído; basta eu permanecer nele.
🙏 Oração
Pai, quantas vezes eu desci do muro para atender uma conversa que só existia para me atrasar. Tu conheces as cartas abertas que me assustam e os conselhos piedosos que me desviam. Ensina-me o discernimento que Neemias teve.
Que eu responda com a clareza dele: estou fazendo um trabalho importante, e não vou descer. Dá-me olhos para enxergar o ataque por trás do convite e o coração firme para continuar a obra no meio do ruído.
Quando a quinta carta chegar — e ela vai chegar —, que a minha primeira reação seja orar pedindo forças, como Neemias. E, ao final, que se veja que a obra foi feita com o teu auxílio.
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