Raios de sol atravessando uma floresta densa, imagem de firmeza e de um chamado recebido em Jeremias 1

Devocional

Jeremias 1: A Desculpa Que Deus Não Discutiu

4 min de leitura

Versículo-chave

Eu já o conhecia antes de você ser formado no ventre de sua mãe. Antes do seu nascimento, eu já havia separado e escolhido você para ser o meu profeta às nações”.

Jeremias 1:5 (ONBV)

Capítulo completo — Jeremias 1

Jeremias 1

ONBV

1Estas são as palavras de Jeremias, filho de Hilquias. Ele era um dos sacerdotes da cidade de Anatote, na terra de Benjamim. 2Jeremias recebeu a primeira mensagem no décimo terceiro ano do reinado de Josias, filho de Amom, rei de Judá. 3Deus lhe deu outras mensagens durante o reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, e em várias outras ocasiões, até o quinto mês do décimo primeiro ano do reinado de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá. Foi então que Jerusalém foi destruída, e os moradores da cidade foram levados para o exílio como escravos.

4O Senhor me disse: 5“Eu já o conhecia antes de você ser formado no ventre de sua mãe. Antes do seu nascimento, eu já havia separado e escolhido você para ser o meu profeta às nações”. 6Então eu respondi: “Ah, Soberano Senhor! Eu não sou capaz de falar; não passo de uma criança!”

7“Não diga que você é muito jovem”, respondeu o Senhor, “porque você irá aonde eu o enviar e falará tudo o que eu mandar. 8Você não precisa ter medo deles, pois eu, o Senhor, estarei com você para livrá-lo”. 9Depois disso, o Senhor tocou minha boca com a sua mão e disse: “Veja, eu estou colocando as minhas palavras na sua boca!

10Eu estou lhe dando poder sobre nações e reinos, para arrancar e derrubar, para destruir e arrasar, para construir e plantar”. 11O Senhor falou comigo e perguntou: “O que você está vendo, Jeremias?” Eu respondi: “Estou vendo um ramo de amendoeira”. 12O Senhor me disse: “Exatamente. Isso significa que eu estou vigiando para que a minha palavra se cumpra”.

13O Senhor falou comigo novamente, e me perguntou: “E agora, Jeremias, o que você está vendo?” E eu respondi: “Vejo uma panela fervendo. A boca dessa panela está inclinada do Norte para cá”. 14O Senhor me disse: “Do Norte virá o terrível castigo sobre o povo desta terra. 15Estou convocando todas as nações dos reinos do Norte. Eles virão a Jerusalém, colocarão os seus tronos diante de suas portas e ao longo dos muros da cidade. Eles farão isso em todas as cidades de Judá.

16Assim eu vou dar ao meu povo o castigo que havia prometido por todas as suas maldades e por terem me abandonado, queimando incenso a outros deuses, adorando ídolos que eles mesmos fizeram! 17“Vamos, Jeremias! Levante-se, vista-se e saia para anunciar ao povo tudo que eu ordenar. Não tenha medo deles, senão eu mesmo farei você se apavorar na presença deles. 18Eu hoje tornei você fortalecido; você não será destruído pelos ataques deles. Eu faço de você uma cidade fortificada, uma coluna de ferro e um muro de bronze.

19Eles lutarão contra você, mas não conseguirão vencê-lo, pois eu estou com você e o livrarei”, diz o Senhor.

Observação

Quem se apresenta a Deus dizendo “não passo de uma criança”? Jeremias, e o texto guarda a desculpa sem retoque.

Antes da conversa, o capítulo gasta três versículos com calendário: o décimo terceiro ano de Josias, o reinado de Jeoaquim, o quinto mês do décimo primeiro ano de Zedequias. A lista termina com Jerusalém destruída e o povo levado para o exílio. Deus não separa Jeremias para uma temporada boa, e quem lê já sabe o desfecho antes de ouvir o chamado, que vem assim mesmo, dentro dessa linha do tempo.

A resposta de Deus à desculpa tem duas partes. Primeiro ele corrige o argumento: “Não diga que você é muito jovem”. Depois não discute capacidade nenhuma, porque a missão não depende dela. Jeremias vai aonde for enviado e fala o que for mandado. A palavra vem de fora, e Deus a coloca na boca dele com a própria mão.

As duas visões do fim do capítulo fazem o mesmo trabalho. Um ramo de amendoeira, coisa pequena, e Deus diz que vigia para que a sua palavra se cumpra. Uma panela fervendo, inclinada do Norte, e Deus diz de onde virá o castigo. Nos dois casos ele pergunta “O que você está vendo, Jeremias?” antes de explicar o que aquilo significa.

O capítulo fecha com um aviso: eles lutarão contra Jeremias e não vão vencê-lo.

Aplicação para Vida

Toda desculpa de Jeremias tem uma versão moderna, e me reconheço em várias. Ainda não estou pronto. Falta experiência. Tem gente mais preparada. Soam como humildade, e o capítulo as trata como o que costumam ser: um jeito educado de adiar a obediência. Deus não responde com elogio nem com uma lista de qualificações que Jeremias ainda poderia juntar; ele responde com ordem e com a promessa de ir junto.

Pense em alguém diante de uma conversa difícil que precisa ter, de um acordo torto que precisa largar no trabalho, ou de um serviço numa comunidade que parece não ter lugar para essa pessoa. A pergunta que paralisa é sempre sobre o tamanho de quem vai: sou novo, sou pouco, sou o último que deveriam chamar. O texto troca a pergunta. Quem enviou, e o que mandou dizer? Quando a resposta é Deus, idade e currículo saem do centro da conversa.

Um detalhe me incomoda de um jeito bom: Deus avisa que haverá resistência. Ninguém recebe a promessa de uma vida fácil. A promessa é de que Jeremias não será vencido, e ela vem junto com a descrição do terreno: cidade fortificada, coluna de ferro, muro de bronze. Isso reorganiza o que esperar de uma obediência. Quem obedece e encontra oposição não errou o caminho; está no caminho que foi descrito.

Há também a amendoeira. Deus usa um objeto comum para ensinar, e quem está atento recebe o recado numa coisa miúda: um ramo na janela, uma panela no fogo. Treinar o olhar faz parte do chamado. A pergunta sobre o que você está vendo continua sendo feita a quem lê, e responder com honestidade vem antes de entender.

O medo de Jeremias não desaparece no capítulo. Ele não recebe diploma nenhum; recebe uma mão na boca e a promessa de que Deus estará com ele. E antes de qualquer desculpa dele já existia uma escolha de Deus. A escolha veio primeiro, e a desculpa chegou tarde.

Oração

Senhor, eu conheço a minha lista de desculpas e sei recitá-la de cor. Pequeno demais, cansado demais, cedo demais. Tu já ouviste todas e não gastaste uma frase para discutir nenhuma.

Toca a minha boca como tocaste a de Jeremias. Põe as palavras, e eu levo, sem acrescentar enfeite e sem cortar o que pesa. Quando eu olhar para um ramo de amendoeira ou para uma panela fervendo, ensina-me a dizer o que vejo sem maquiar.

Fica comigo na parte que vai dar briga. Peço a tua companhia no meio dela, que vale mais do que qualquer muro de bronze.

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