Pessoa sozinha sobre uma rocha diante de um vale amplo iluminado pelo sol, imagem de liberdade e filiação em Gálatas 4

Devocional

Gálatas 4: Conhecidos Antes de Conhecer

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Versículo-chave

Assim vocês não são mais escravos, mas verdadeiros filhos. E uma vez que são filhos, Deus lhes dará tudo o que ele tem.

Gálatas 4:7 (ONBV)

Capítulo completo — Gálatas 4

Gálatas 4

ONBV

1Lembrem-se, porém, disto, que se um pai morrer e deixar uma grande herança para seu filho pequeno, essa criança até crescer não difere de um escravo, apesar de ser o dono de tudo. 2Ele tem de fazer aquilo que seus tutores e administradores mandarem, até atingir a idade determinada por seu pai. 3E era assim que acontecia conosco antes da vinda de Cristo. Éramos escravos dos rudimentos elementares que dominam este mundo.

4Mas, quando chegou o tempo certo, o tempo determinado por Deus, ele enviou seu Filho, nascido de mãe humana e viveu debaixo da lei, 5para comprar a liberdade para nós que éramos escravos da lei, a fim de que ele nos pudesse adotar como seus próprios filhos. 6E, porque vocês são seus filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho aos corações de vocês, que clama: “Abba, Pai”.

7Assim vocês não são mais escravos, mas verdadeiros filhos. E uma vez que são filhos, Deus lhes dará tudo o que ele tem. 8Antes de conhecerem a Deus, vocês eram escravos daqueles que por natureza não eram deuses. 9E agora que conheceram a Deus, ou melhor, agora que Deus conheceu vocês, como é possível que vocês queiram voltar atrás e tornar-se mais uma vez escravos desses rudimentos deficientes, fracos e inúteis?

10Vocês estão observando dias especiais, ou meses, ou épocas, ou anos. 11Eu temo por vocês. Tenho receio de que todo o meu árduo trabalho em seu beneficio tenha sido inútil. 12Irmãos, eu lhes peço que tenham a mesma ideia que eu a respeito dessas coisas, pois eu estou tão livre dessas cadeias quanto vocês costumavam estar. Vocês não me desprezaram naquela ocasião em que preguei pela primeira vez a vocês,

13embora eu estivesse na fraqueza da carne quando pela primeira vez levei-lhes o evangelho de Cristo. 14No entanto, ainda que a minha condição física lhes fosse uma provação, vocês não me rejeitaram nem me mandaram embora. Ao contrário, vocês me receberam e cuidaram de mim como se eu fosse um anjo de Deus, ou até mesmo como o próprio Jesus Cristo. 15O que aconteceu com aquele espírito feliz que sentimos juntos naquela ocasião? Porque eu sei que naqueles dias vocês, com toda a alegria, teriam arrancado os próprios olhos e os teriam dado para substituir os meus, se aquilo tivesse me ajudado.

16E agora eu me tornei inimigo de vocês por lhes dizer a verdade? 17Esses falsos mestres que estão tão ansiosos em agradá-los não estão fazendo isso para o bem de vocês. O que eles estão procurando fazer é separá-los de mim, para que vocês prestem mais atenção neles. 18É bom zelar pelo bem sempre, e não apenas quando estou entre vocês.

19Meus filhos, mais uma vez estou sofrendo as dores de parto por sua causa, até que Cristo seja formado em vocês. 20Como eu gostaria de poder estar aí com vocês agora mesmo e não ter de discutir com vocês dessa maneira, pois a essa distância, francamente, eu não sei o que fazer. 21Escutem-me, vocês que pensam que precisam obedecer às leis judaicas para serem salvos: Por que vocês não aprendem o verdadeiro significado dessas leis?

22Pois está escrito que Abraão teve dois filhos: um da mulher escrava e outro da mulher livre. 23Não houve nada de extraordinário quanto ao nascimento do bebê da mulher escrava, mas o bebê da mulher livre só nasceu mediante promessa. 24Ora, essa história verdadeira é uma ilustração das duas alianças que essas mulheres representam. Uma aliança procede do monte Sinai e está representada por Hagar. Os que pertencem a esta aliança nascem escravos.

25Hagar representa o monte Sinai, na Arábia, e Hagar é o símbolo da atual cidade de Jerusalém, que está escravizada com todos os seus filhos. 26Mas a nossa cidade-mãe é a Jerusalém celestial, e ela é livre. 27Pois está escrito: “Agora você, mulher sem filhos, pode se alegrar; grite de alegria, você que nunca esteve em trabalho de parto. Porque a mulher abandonada terá mais filhos do que a mulher que tem marido”.

28Vocês, irmãos, são os filhos prometidos por Deus, tal como foi Isaque. 29E assim, o filho nascido de modo natural perseguiu o filho nascido do Espírito. E a mesma coisa está acontecendo agora. 30Entretanto, o que dizem as Escrituras? “Mande embora a mulher escrava e seu filho, pois o filho da mulher escrava jamais será herdeiro junto com o filho da mulher livre”.

31Irmãos, nós não somos filhos da escrava, mas filhos da mulher livre.

Observação

Paulo corrige a própria frase no meio dela. Ele começa dizendo “agora que conheceram a Deus, ou melhor, agora que Deus conheceu vocês” (v. 9), e a correção muda quem toma a iniciativa. A fé dos gálatas começou do lado de lá, com Deus conhecendo, e não do lado deles, com esforço para descobrir.

Por isso a pergunta seguinte dói. Como alguém conhecido por Deus quer voltar para coisas que Paulo chama de fracas e inúteis? O verso 10 aponta onde a recaída aparecia: dias especiais, meses, épocas, anos. O texto não detalha mais que isso, mas o medo de Paulo é claro: que o trabalho dele tenha sido em vão (v. 11).

Nos versos 1 a 3 ele usa a imagem de um herdeiro menor de idade. É dono de tudo e vive como escravo, obedecendo a tutores até a data que o pai marcou. Então chega o tempo certo, e Deus envia o Filho para comprar a liberdade dos que viviam debaixo da lei, a fim de adotá-los (vv. 4-5). Compra e adoção acontecem no mesmo gesto, e o texto não deixa a segunda depender de a primeira ser merecida.

O verso 6 dá o detalhe que mais me prende: o clamor de Abba, Pai vem do Espírito, enviado aos corações. O filho não aprendeu a frase para ser aceito. A frase já está sendo dita dentro dele, e o verso 7 conclui que quem é filho é também herdeiro, com direito a tudo o que Deus tem.

Aplicação para Vida

A recaída mais comum de quem foi libertado é pedir o capataz de volta. Ele era previsível. Tinha lista, tinha dia marcado, dizia exatamente o que fazer para estar em dia com Deus. Liberdade exige confiança, e confiança cansa mais do que obedecer uma regra escrita.

Reconheço o mecanismo quando uma fase ruim vira auditoria. Li pouco, orei pouco, faltei num compromisso, e já me sinto devedor. A conta passa a ser a nota do dia, e Deus vira fiscal. Paulo descreve isso como voltar atrás, e a pergunta que ele faz é sobre quem manda: o hábito serve ao filho, ou o filho vive servindo ao hábito?

Hábito de filho parece hábito de escravo por fora e é outra coisa por dentro.

A mesma lista de leitura, de jejum, de dia separado pode ser dita por um filho ou por um empregado com medo de demissão. O gesto é igual. A diferença está em quem você acha que está do outro lado: um pai que já te adotou ou um chefe que ainda vai decidir.

O verso 9 muda onde apoiar o peso. Se Deus conheceu você primeiro, o seu lugar diante dele não oscila com o seu desempenho. Quem acorda com a sensação de estar em dívida pode parar e prestar atenção no clamor que o Espírito já faz dentro de quem é filho. Ele não espera a lista ficar completa para começar a falar, nem pede que você fale primeiro.

Paulo ainda sofre como quem está em dores de parto até que Cristo seja formado neles (v. 19). Formar leva tempo. Isso tira a pressa e tira a vergonha: dá para estar incompleto e ser inteiramente filho, ao mesmo tempo.

Oração

Pai, confesso que tenho pedido o capataz de volta. Ele era mais fácil de entender do que o Senhor. Dava ordem, dava nota, e eu sabia sempre onde estava.

O Senhor me conheceu primeiro, e isso ainda me desarma. Eu achava que corria atrás de ti, e já estava dentro do teu olhar antes de me mexer. Quando eu medir o meu dia pela lista que não cumpri, interrompe a conta com a voz que o teu Espírito já põe no meu peito.

Forma em mim o que ainda não está formado. Tenho pressa e tenho vergonha, e as duas me enganam. Deixa-me ser filho a caminho e continuar te chamando de Pai quando a lista estiver incompleta.

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