Devocional
Juízes 14: O Mel Que Sansão Escondeu Dentro do Leão
Então o Espírito do Senhor tomou posse de Sansão de tal maneira que ele rasgou o animal com as próprias mãos, como se fosse um cabrito. Mas os pais dele não ficaram sabendo desse acontecimento.
Juízes 14:6 (ONBV)
Capítulo completo — Juízes 14
Juízes 14
ONBV
1Um dia, Sansão foi a Timna e viu ali certa jovem do povo filisteu que chamou a sua atenção. 2Voltando para casa, disse ao seu pai e a sua mãe: “Vi uma mulher filisteia em Timna; peçam essa mulher para mim porque eu quero casar com ela”. 3Porém, seu pai e sua mãe fizeram forte oposição e responderam: “Por que você não casa com uma jovem do nosso povo? Por que você tem de arranjar esposa entre esses filisteus, que não obedecem a Deus? Será que não existe em Israel uma moça que sirva para casar com você?” Porém, Sansão disse ao pai: “Aquela é a que me agrada. Peça a moça em casamento para mim!”
4O pai e a mãe de Sansão não perceberam que o Senhor estava por trás daquele pedido, porque estava preparando uma ação contra os filisteus, pois nessa época eles dominavam sobre o povo de Israel. 5Quando Sansão estava indo com os seus pais a Timna, já nas vizinhanças da cidade, nas plantações de uva ali existentes, de repente veio um leão novo rugindo contra ele. 6Então o Espírito do Senhor tomou posse de Sansão de tal maneira que ele rasgou o animal com as próprias mãos, como se fosse um cabrito. Mas os pais dele não ficaram sabendo desse acontecimento.
7Em Timna, ele conversou com a jovem, e ela lhe agradou muito. 8Quando voltou a Timna para o casamento, saiu da estrada para ver o cadáver do leão, e viu nele um enxame de abelhas com mel. 9Ele tirou o favo de mel com as mãos, e foi comendo pelo caminho. Quando voltou ao seu pai e a sua mãe, repartiu o mel com eles, e eles também comeram. Mas não ficaram sabendo que o mel tinha sido tirado da carcaça do leão.
10Seu pai foi à casa da moça e, seguindo o costume, Sansão ofereceu uma festa, 11e convidou trinta jovens para o acompanharem de Timna. 12Em certo momento, Sansão desafiou os moços a decifrarem uma charada: “Se vocês conseguirem decifrar o enigma durante os sete dias da celebração do casamento”, disse ele, “darei a vocês trinta camisas finas e trinta trajes de festas.
13Se não conseguirem, vocês me darão as trinta camisas e os trinta trajes de roupas!” Eles concordaram, e disseram: “Diga logo qual é o enigma!” 14A charada que Sansão apresentou aos moços foi esta: “Do comedor saiu comida, e do forte saiu doçura”. Três dias depois, eles ainda não tinham conseguido dar a interpretação. 15No quarto dia, os moços disseram à mulher de Sansão: “Se você não quer morrer queimada, e não quer que ponhamos fogo na casa do seu pai, convença Sansão a revelar a solução da charada. Será que fomos convidados para esta festa para sermos roubados?”
16A mulher vinha insistindo com Sansão para que contasse a ela o segredo; chorava e dizia: “Você me despreza! Você não me ama! Pois você deu um enigma à minha gente, e até agora você não me contou a solução!” E Sansão dizia a ela: “Se nem ao meu pai e à minha mãe eu revelei o enigma, por que deveria contá-lo a você?” 17E durante os sete dias da festa, ela chorava diante dele. E no sétimo dia ainda mais, por causa da ameaça dos jovens. De tanto importunar Sansão, ele revelou a solução do enigma a ela. E ela foi contar o enigma aos seus amigos. 18Então, no sétimo dia da festa, antes do pôr do sol, eles disseram a Sansão: “Que coisa existe mais doce do que o mel? O que é mais forte que o leão?” Sansão respondeu, aplicando um ditado: “Se vocês não tivessem lavrado com a minha novilha, nunca teriam conseguido decifrar o meu enigma!”
19Então o Espírito do Senhor apossou-se de Sansão de tal maneira que ele foi à cidade de Ascalom, matou trinta homens de lá, tirou os trajes de festa que vestiam e os entregou aos que decifraram o enigma. Enfurecido, porém, deixou a mulher e voltou para a casa do seu pai. 20E a mulher de Sansão foi dada em casamento ao homem que tinha sido o padrinho de casamento de Sansão.
Observação
Um leão rugindo no meio de um vinhedo, e o Espírito do Senhor transforma Sansão num homem que rasga o animal como quem abre um cabrito. Ninguém viu. Os pais caminhavam logo atrás e não ficaram sabendo de nada (v. 6). O capítulo começa com um segredo de força e termina com um segredo que custou trinta mortes.
O texto faz questão de dizer que o desejo de Sansão pela moça de Timna, rejeitado pelos pais, estava dentro de um propósito que ele não enxergava (v. 4). Deus trabalhava por dentro de uma escolha teimosa. O plano de Deus para Israel não dependia da prudência do seu juiz.
Depois vem o mel. Dias mais tarde, Sansão desvia do caminho para olhar a carcaça e encontra um enxame que fez colmeia ali. Come o favo andando e reparte com os pais sem contar de onde veio, embora um nazireu devesse evitar contato com cadáver. O doce nasceu do que estava morto, e ele guarda essa origem para si.
O enigma da festa nasce desse segredo: “Do comedor saiu comida, e do forte saiu doçura” (v. 14). Trinta jovens não resolvem em três dias. Resolvem em sete, porque a mulher chora, é ameaçada de morte por fogo, e Sansão cede “de tanto importunar” (v. 17). A força que derrubou um leão não aguentou uma semana de lágrimas.
Aplicação para Vida
Todo mundo carrega um favo de mel tirado de lugar impróprio: um ganho, um hábito, uma história que repartimos sem dizer de onde veio. Sansão dividiu a doçura com os pais e escondeu a carcaça. Quem faz isso aprende cedo que segredo pequeno pede outro maior para ficar de pé.
Repare onde a fortaleza dele cedeu. Diante de exército e de fera ele se manteve firme; diante de pressão contínua, dentro de casa, durante sete dias, cedeu. Eu conheço esse desgaste, aquele em que a gente entrega a informação só para a insistência parar. Força de véspera não protege contra cansaço de semana inteira.
O capítulo também me incomoda por mostrar o Espírito de Deus agindo através de um homem de caráter frágil (v. 19). Isso consola e adverte ao mesmo tempo: Deus usa quem quer, e ninguém deve tomar a própria utilidade como atestado de maturidade.
Hoje, procure o seu favo escondido. Conte a alguém de confiança de onde ele veio antes que uma festa de sete dias o arranque de você.
Oração
Senhor, tu viste o leão que eu enfrentei sem ninguém por perto, e viste também o mel que eu comi no caminho fingindo que vinha de lugar limpo. Não quero mais repartir doçura com a origem escondida.
Conheço o meu ponto fraco: a insistência. Quando alguém chorar na minha frente por sete dias, lembra-me de que a mesma boca que me pede a verdade pode usá-la contra mim, e que o silêncio às vezes protege.
Faz de mim alguém em quem teu Espírito não precise passar por cima do caráter para trabalhar. Amém.