Devocional
João 9: O Cego Que Não Sabia Muito e Via Tudo
Eu não sei se ele é pecador ou não, porém isto eu sei: eu era cego e agora vejo!
João 9:25 (ONBV)
Capítulo completo — João 9
João 9
ONBV
1Enquanto prosseguia caminhando, Jesus viu um homem que tinha nascido cego. 2“Mestre”, perguntaram seus discípulos, “quem pecou; este homem ou seus pais para que nascesse cego?” 3“Nem uma coisa nem outra”, respondeu Jesus, “mas isso aconteceu para que o poder de Deus se manifestasse na vida dele.
4Todos nós devemos cumprir as tarefas que nos foram dadas por aquele que me enviou, enquanto é dia. A noite se aproxima, quando ninguém pode trabalhar. 5Mas enquanto eu ainda estiver no mundo, eu sou a luz do mundo”. 6Então Jesus cuspiu no chão, fez barro com a saliva, aplicou-a nos olhos do cego
7e disse: “Vá lavar-se no Tanque de Siloé” (a palavra “Siloé” significa “enviado”). Assim o homem foi, lavou-se e voltou enxergando! 8Seus vizinhos, e outros que conheciam o homem como um mendigo, perguntavam uns aos outros: “Este é o homem que costumava ficar sentado pedindo esmolas?” 9Alguns diziam que sim, outros diziam que não. “Não pode ser o mesmo homem”, pensavam eles, “mas sem dúvida se parece com ele!” Mas ele dizia: “Eu sou aquele homem!”
10“Então, como foram abertos os seus olhos?”, perguntaram eles. 11Ele disse: “Um homem chamado Jesus misturou terra com saliva e colocou-a nos meus olhos; depois me mandou ir ao Tanque de Siloé e lavar-me. Eu fui, lavei-me e agora posso ver!” 12“E onde está esse homem?”, perguntaram. “Não sei”, respondeu.
13Então levaram o homem aos fariseus. 14Tudo isso aconteceu num sábado. 15Então os fariseus perguntaram ao homem como ele recuperara a visão, e o homem respondeu: “Ele colocou barro e saliva em meus olhos, e depois que lavei o barro comecei a enxergar!”
16Alguns dos fariseus disseram: “Neste caso, esse Jesus não é de Deus, porque não guarda o sábado”. Mas outros perguntavam: “Mas como um pecador comum poderia fazer tais milagres?” E assim houve divisão de opiniões entre eles. 17Nisto os fariseus voltaram ao homem que tinha sido cego e perguntaram: “Esse homem que abriu os seus olhos, quem você diz que ele é?” “Ele deve ser um profeta”, respondeu o homem. 18Os líderes judaicos não queriam acreditar que ele havia sido cego, até que chamaram seus pais
19e perguntaram: “Este é filho de vocês? Nasceu cego? Se foi, como é que está enxergando agora?” 20Os pais dele responderam: “Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. 21Mas não sabemos o que aconteceu para ele sarar, ou quem fez isso. Ele tem idade bastante para falar por si mesmo. Perguntem a ele”.
22Eles disseram isso com medo dos líderes judaicos, que já tinham avisado que qualquer um que dissesse que Jesus era o Cristo seria expulso da sinagoga. 23Foi por isso que seus pais disseram: “Ele é maior de idade; perguntem a ele”. 24Portanto, pela segunda vez, chamaram o homem que tinha sido cego e disseram: “Para a glória de Deus, diga a verdade. Nós sabemos que esse homem é pecador”.
25“Eu não sei se ele é pecador ou não”, respondeu o homem, “porém isto eu sei: eu era cego e agora vejo!” 26“Mas o que foi que ele fez?”, perguntaram. “Como foi que ele abriu os seus olhos?” 27“Olhem!”, exclamou o homem, “eu já contei tudo uma vez; não ouviram? Por que querem ouvir outra vez? Será que vocês também querem se tornar discípulos dele?”
28Com isso eles ofenderam o homem e disseram: “Você, sim, que é discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés! 29Sabemos que Deus falou a Moisés, mas quanto a esse, nem mesmo sabemos de onde ele é”. 30“Pois isso é muito esquisito!”, respondeu o homem. “Ele pode curar os cegos, e apesar disso os senhores não sabem de onde ele vem!
31Ora, sabemos que Deus não atende pecadores, mas tem os ouvidos abertos para aqueles que o adoram e fazem a sua vontade. 32Desde o princípio do mundo nunca houve ninguém que pudesse abrir os olhos de uma pessoa que nasceu cega. 33Se este homem não fosse de Deus, não poderia fazer isto”.
34“Você nasceu em pecado!”, gritaram eles. “Quem é você para ensinar a nós?” E o expulsaram. 35Quando Jesus soube que o haviam expulsado, procurou o homem e lhe disse: “Você crê no Filho do Homem?” 36Ele respondeu: “Quem é ele, Senhor, para que eu creia nele?”
37“Você já o viu”, disse Jesus, “é aquele que está falando com você!” 38“Sim, Senhor”, disse o homem, “eu creio!” E adorou a Jesus. 39Então Jesus disse: “Eu vim ao mundo para julgamento, a fim de que os cegos vejam e os que veem fiquem cegos”.
40Alguns fariseus que estavam ali perguntaram: “Será que isso quer dizer que nós também somos cegos?” 41“Se vocês fossem cegos, não teriam culpa de pecado”, respondeu Jesus. “Mas a culpa de vocês permanece porque vocês dizem que podem ver”.
Observação
Jesus passa, vê um homem cego de nascença e ninguém lhe pediu nada. Os discípulos já chegam com a pergunta pronta, a de quem procura culpado: quem pecou, ele ou os pais? Jesus desvia o dedo apontado e fala em obra de Deus que ainda vai aparecer.
O método é estranho. Barro feito de saliva, olhos untados, uma ordem para caminhar até o tanque de Siloé, nome que João faz questão de traduzir: “enviado”. O homem vai sem ver o caminho, lava-se e volta enxergando. A cura acontece na obediência, a meio do trajeto.
Depois começa o interrogatório, e é aqui que o capítulo cresce. Vizinhos que discutem se é ele mesmo. Fariseus divididos por causa do sábado. Pais que confirmam o essencial e empurram o resto: “Ele tem idade bastante para falar por si mesmo”. João explica o motivo em uma linha, o medo de serem expulsos da sinagoga.
O curado, sozinho, vai ficando mais claro a cada resposta. Começa chamando Jesus de “um homem”, depois “profeta”, depois alguém que vem de Deus. Os doutores, que tinham todas as credenciais, regridem: “nem mesmo sabemos de onde ele é”. O mendigo ainda os contradiz com ironia: é muito esquisito que os senhores não saibam.
Expulso, o homem fica sem sinagoga e sem família por perto. Jesus o procura, e só então ele vê o rosto de quem o curou. “Eu creio”, diz, e adora. O capítulo fecha com a sentença mais dura do Evangelho para quem se acha vidente: a culpa permanece porque vocês dizem que podem ver.
Aplicação para Vida
Admiro a frase do versículo 25 pela sua modéstia. O homem não tem teologia, não resolve a questão do sábado, não sabe explicar o milagre. Tem um fato: antes era cego, agora vê. Testemunho é isso, e eu complico demais quando acho que preciso de um sistema inteiro para falar de Deus.
Os pais me incomodam porque me reconheço neles. Sabiam a verdade, e entregaram o filho à própria sorte para proteger o lugar na comunidade. Já fiz silêncio estratégico em mesa de gente importante, e o preço dessa prudência costuma ser pago por outra pessoa.
Também aprendo com o custo. Ser expulso foi o que aconteceu com o homem logo depois de ser curado, e é nesse momento que Jesus o encontra. Há encontros com Cristo que só chegam depois de perder uma porta, um grupo, uma reputação.
Fico com a pergunta final dos fariseus: “Será que nós também somos cegos?”. Cegueira declarada tem remédio, porque quem a admite pede ajuda. A minha pior zona é a das coisas que eu juro ter visto com clareza, e que nunca submeti a ninguém.
O tanque de Siloé ainda está lá, no fim de uma rua que eu não enxergo inteira. Basta ir.
Oração
Senhor, eu cheguei com a minha lista de explicações, como os discípulos, querendo saber de quem foi a culpa antes de saber o que Tu queres fazer. Cala essa pressa em mim.
Se há um Siloé à minha frente, uma ordem pequena que não explica nada e parece barro nos olhos, dá-me os pés para ir antes de entender. Prefiro lavar-me no escuro a ficar sentado com a minha opinião.
Conta-me onde ando dizendo “eu vejo” por orgulho. E quando custar a porta, o grupo, o nome, aparece no fim da rua como apareceste a ele. Basta-me ouvir a Tua voz e dizer o que ele disse. Amém.