Floresta de névoa densa ao amanhecer, com raios de luz atravessando as copas das árvores sobre o caminho

Devocional

1 Samuel 10: O Rei Escondido na Bagagem

4 min de leitura

Versículo-chave

Mas quando o procuraram, não o encontraram!

1 Samuel 10:21 (ONBV)

Capítulo completo — 1 Samuel 10

1 Samuel 10

ONBV

1Samuel pegou um vaso de azeite e o derramou sobre a cabeça de Saul, beijou-o e disse: “Faço isto porque o Senhor ungiu você para ser o líder de Israel, o seu povo! 2Quando você partir, vai ver dois homens ao lado do túmulo de Raquel, em Zelza, na terra de Benjamim; eles lhe dirão que as jumentas já foram encontradas, e que seu pai deixou de se importar com elas e está preocupado com a sua demora, e pergunta: ‘O que posso fazer para encontrar o meu filho?’ 3“E quando você chegar ao carvalho de Tabor, verá três homens vindo em sua direção; eles estão a caminho de Betel, onde vão adorar a Deus no altar que existe ali. Um deles estará levando três cabritos, outro estará levando três pães, e o terceiro uma vasilha de vinho.

4Eles vão cumprimentá-lo e oferecerlhe dois pães, que você deverá aceitar. 5“Depois disso você irá a Gibeá-Eloim, também conhecido como ‘Monte de Deus’, onde se encontra uma tropa dos filisteus que guarda a cidade. Ao chegar lá, você encontrará um grupo de profetas descendo do monte; eles virão tocando saltérios, tambores, flautas e harpas, e eles também profetizarão. 6“Nesse momento, o Espírito do Senhor virá poderosamente sobre você, e você profetizará com eles e será transformado em uma nova pessoa.

7Assim que esses sinais se cumprirem, tome as decisões que parecerem certas para você, pois o Senhor estará com você. 8“Vá a Gilgal e espere ali por mim durante sete dias, pois eu irei lá a fim de oferecer os sacrifícios queimados e os sacrifícios de paz. Quando chegar, eu lhe darei outras instruções”. 9Quando Saul se despediu e virou as costas para se afastar dele, Deus mudou o coração de Saul, e todos os sinais profetizados por Samuel se cumpriram naquele dia.

10No momento em que Saul e o empregado chegaram a Gibeá, viram os profetas que vinham ao encontro deles, e o Espírito de Deus se apossou de Saul, e ele também começou a profetizar no meio deles. 11Quando seus amigos souberam disso, exclamaram: “O que aconteceu ao filho de Quis? Saul agora também é profeta?” 12E um homem dali acrescentou: “E quem é o pai deles?” Daí teve origem o provérbio: “Saul também está entre os profetas?”

13Tendo Saul acabado de profetizar, subiu ao monte onde estava o altar. 14“Por onde vocês andaram?”, perguntou o tio de Saul. E Saul respondeu: “Saímos para procurar as jumentas, mas não conseguimos encontrálas; então fomos ao profeta Samuel”. 15“E que foi que Samuel disse?”, perguntou o tio.

16“Ele disse que as jumentas já tinham sido encontradas”, respondeu Saul. Porém ele não contou ao tio que Samuel o tinha ungido rei! 17Samuel mandou que todo o povo de Israel se reunisse em Mispá, 18e deu ao povo este recado: “Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: ‘Eu tirei Israel do Egito e livrei vocês do poder dos egípcios e de todas as nações que maltrataram vocês’.

19Mas apesar de ter feito tudo isso em favor de vocês, ainda assim rejeitaram o Deus que os salva de todas as suas desgraças e angústias, e disseram: ‘Preferimos ter um rei!’ Por isso, apresentem-se, diante do Senhor, de acordo com as suas tribos e grupos de famílias”. 20Assim Samuel reuniu todas as tribos de Israel diante do Senhor, e a tribo de Benjamim foi escolhida por sorteio. 21Então Samuel fez chegar a tribo de Benjamim, diante do Senhor, grupo de família por grupo de família, e a família de Matri foi escolhida. E, finalmente, foi sorteado Saul, filho de Quis. Mas quando o procuraram, não o encontraram!

22Por isso consultaram novamente o Senhor: “Ele está aqui entre nós?” E o Senhor respondeu: “Saul está escondido no meio da bagagem”. 23Eles correram e o trouxeram de lá. Quando ficou em pé no meio do povo, ele era maior do que todos do povo; os mais altos do povo só lhe chegavam aos ombros. 24Então Samuel disse a todo o povo: “Vocês estão vendo o homem que o Senhor escolheu? Pois em todo o povo não há ninguém semelhante a ele!” E o povo gritou: “Viva o rei!”

25Samuel repetiu então ao povo os direitos e obrigações de um rei, e escreveu-os num livro e colocou esse livro num lugar especial perante o Senhor. Depois Samuel mandou que todos voltassem para casa. 26Quando Saul voltou para sua casa em Gibeá, Deus tocou o coração de um grupo de homens valentes que foram com Saul. 27Havia, porém, alguns vadios que exclamavam: “Como este homem pode salvar-nos?” E desprezaram Saul e não lhe trouxeram presente algum. Porém Saul não lhes deu ouvidos.

Observação

Imagine a cena: todas as tribos de Israel reunidas em Mispá, o sorteio estreitando o cerco, Benjamim, depois a família de Matri, depois o nome de Saul, filho de Quis. A multidão se vira para ver o escolhido, e ele não está lá. Procuram, perguntam ao Senhor, e a resposta vem quase com humor: “Saul está escondido no meio da bagagem” (v. 22).

Um dia antes, Saul tinha o óleo ainda escorrendo da cabeça. Samuel lhe dera três sinais precisos, dos dois homens no túmulo de Raquel aos profetas descendo o monte com harpas, e todos se cumpriram em um único dia (v. 9). O versículo 6 promete que ele seria “transformado em uma nova pessoa”. Mesmo assim, diante do povo, o homem de ombros mais altos que todos prefere os baús.

Note também o que Saul não conta ao tio: que Samuel o ungiu rei (v. 16). Ele guarda o segredo e volta ao trabalho de procurar jumentas. O texto nunca o acusa de falsa modéstia; apenas mostra um homem em quem o chamado chegou antes da coragem.

No fim, há um contraste silencioso. Parte do povo grita “Viva o rei!”, e alguns vadios resmungam: “Como este homem pode salvar-nos?” Saul “não lhes deu ouvidos” (v. 27). O mesmo capítulo que o mostra escondido o mostra, no último versículo, surdo à zombaria.

Aplicação para Vida

Conheço bem esse esconderijo. Ele tem formas respeitáveis: “ainda não estou preparado”, “tem gente mais qualificada”, “vou esperar o momento certo”. Às vezes é humildade de verdade. Em muitas ocasiões é medo com boa reputação.

A história de Saul não resolve o medo com um discurso motivacional. Deus responde ao esconderijo apontando o lugar exato onde ele está, sem escândalo e sem castigo. Quem foi chamado não precisa fingir que não tem medo; precisa deixar que o chamado o encontre onde está, até entre as malas.

Há um segundo ensinamento nos sinais de Samuel. Deus não entrega o plano inteiro, mas dá marcos concretos pelo caminho e diz: “tome as decisões que parecerem certas para você, pois o Senhor estará com você” (v. 7). A coragem costuma vir depois do primeiro passo dado com a informação que temos, e não antes.

Quanto aos vadios do versículo 27, toda vocação tem os seus. Eles não somem; o que muda é quanto espaço lhes damos dentro da cabeça. Saul seguiu em frente sem rebater uma palavra, e isso já foi uma vitória.

Hoje, se há uma conversa, um projeto ou um passo que você empurrou para o fundo da bagagem, o Senhor sabe onde está. Levanta-se, sacode a poeira e entra em campo.

Oração

Senhor, você sabe onde me escondo. Sabe que ando com o chamado no bolso e as desculpas na mão, e que sempre encontro um baú novo para entrar quando o nome é chamado.

Não vou fingir bravura. Chame-me pelo nome do jeito que chamou Saul, no meio das minhas coisas, e me dê pernas para sair dali. Se o povo gritar “Viva”, que eu não me infle; se resmungar, que eu aprenda a não dar ouvidos.

Guarda-me no primeiro passo. O resto, o senhor mesmo escreve. Amém.

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