Devocional
Ester 5: O Banquete Que Não Satisfaz Quem Já Tem Tudo
Porém, tudo isto não me dará satisfação, enquanto eu vir aquele judeu Mordecai sentado bem em frente ao portão do palácio real.
Ester 5:13 (ONBV)
Capítulo completo — Ester 5
Ester 5
ONBV
1Três dias depois, Ester vestiu seus vestidos reais e entrou no pátio interior do palácio do rei, que ficava bem em frente ao salão real. O rei estava sentado no trono real. 2Quando ele viu a rainha Ester ali no pátio, teve boa vontade para com ela, estendeu o cetro de ouro que tinha na mão, e mandou que ela se aproximasse. Ester se aproximou e com a mão tocou a ponta do cetro. 3Então o rei perguntou a ela: "O que você deseja, rainha Ester? Qual é o seu pedido? Eu atenderei mesmo que peça a metade do meu reino!"
4E Ester respondeu: "Se for do agrado do rei, quero que o rei e Hamã venham hoje a um banquete que preparei". 5O rei ordenou: "Digam a Hamã que venha depressa, para que aceitemos o convite de Ester!" Então o rei e Hamã foram ao banquete que Ester havia preparado. 6Enquanto serviam o vinho, o rei disse a Ester: "Agora me diga o que é que você deseja, e eu mandarei fazer a sua vontade. Darei a você mesmo que seja a metade do meu reino!"
7Ester respondeu: "Este é o meu pedido e o meu maior desejo: 8Se eu achei favor perante o rei, e se for do seu agrado atender ao meu pedido, venha amanhã outra vez e traga Hamã ao banquete que vou oferecer. E amanhã falarei ao rei do que se trata". 9Naquele dia Hamã saiu de lá muito feliz e contente! Mas quando viu Mordecai ali na porta, e que ele não se levantou nem mostrou respeito diante dele, ficou furioso.
10No entanto, Hamã procurou não dar importância ao fato e foi para casa. Ele mandou chamar seus amigos, e também sua mulher Zeres, 11e falou com eles a respeito da riqueza que possuía, dos muitos filhos que tinha, das promoções que o rei lhe havia concedido, e como era agora o homem mais importante do reino. 12Finalmente, anunciou com muito orgulho: "Além disso a rainha Ester convidou somente o rei e a mim para o banquete que ela ofereceu; e estamos convidados para outro banquete amanhã!"
13Depois ele disse mais estas palavras: "Porém, tudo isto não me dará satisfação, enquanto eu vir aquele judeu Mordecai sentado bem em frente ao portão do palácio real". 14Então Zeres, sua mulher, e todos os seus amigos disseram a Hamã: "Mande fazer uma forca de cerca de vinte metros de altura, e logo pela manhã peça ao rei que dê a você licença para enforcar Mordecai. Depois disso você poderá ir ao banquete sossegado com o rei". Hamã gostou muito desta ideia e mandou fazer a forca.
Observação
Hamã sai do palácio radiante. Foi o único convidado, ao lado do próprio rei, para o banquete particular da rainha — e já está convocado para o segundo, amanhã. Basta atravessar o portão e ver Mordecai sentado ali, sem se levantar, sem se curvar, para toda aquela alegria virar fúria em um único versículo (v. 9).
Em casa, Hamã faz a lista que qualquer um faria para se sentir bem: a riqueza que tem, os muitos filhos, as promoções, o cargo de homem mais importante do reino depois do rei (v. 11). Chama os amigos, chama a mulher, recita a lista em voz alta — e anuncia o convite exclusivo de Ester como a prova final do seu prestígio (v. 12).
O verso 13 desmonta tudo isso numa frase só: “tudo isto não me dará satisfação, enquanto eu vir aquele judeu Mordecai sentado bem em frente ao portão do palácio real”. A lista inteira — riqueza, filhos, poder, convite real — perde peso diante de um homem que se recusa a se curvar.
O contraste com Ester é o eixo silencioso do capítulo. Ela tem motivo urgente e poder para agir na hora, mas escolhe esperar: convida para um banquete, depois para outro, e só no segundo revela do que se trata (v. 8). Hamã tem motivo pequeno e nenhuma urgência real, e mesmo assim decide, ainda de noite, construir uma forca (v. 14). Uma resposta é medida; a outra é reativa.
Aplicação para Vida
Eu também tenho a minha lista de Hamã — coisas boas, conquistadas ou recebidas, que recito para mim mesmo quando preciso me sentir seguro. E tenho o meu portão do palácio: aquela pessoa, comentário ou situação específica que se recusa a se curvar diante do que acho que mereço, e que consegue apagar a lista inteira em segundos.
A diferença entre Ester e Hamã não é quem tinha mais poder — os dois tinham acesso direto ao rei. A diferença é o que cada um fez com o tempo entre o impulso e a ação. Ester usou dois banquetes para não decidir no calor da hora; Hamã usou uma noite para transformar irritação em plano de execução.
Minha versão da forca raramente é literal. É a mensagem que escrevo e não envio, a resposta seca que preparo, a lista de ressentimentos que engordo enquanto finjo que estou só “processando”. Ester 5 pergunta se eu sei esperar um segundo banquete antes de agir sobre o que me tirou a paz.
O portão do palácio ainda vai estar lá amanhã, com ou sem Mordecai sentado nele. A pergunta que fico com o texto é se vou deixar que ele decida o tamanho da minha alegria hoje.
Oração
Senhor, tenho a minha lista pronta — o que consegui, o que recebi, o que ninguém tira de mim. E tenho o meu portão, o lugar exato onde alguém se recusa a me dar o que eu acho que mereço.
Não quero que essa recusa decida se hoje foi um bom dia.
Onde há orgulho disfarçado de conquista, mostra. Onde estou construindo, em silêncio, uma forca — um plano de resposta, uma lista de contas a acertar — desmonta antes que eu termine de erguer.
Dá-me o segundo banquete de Ester: o intervalo entre sentir e agir, onde a resposta certa ainda tem tempo de chegar antes da reativa.