Pães rústicos assados sobre uma mesa de madeira, lembrando o pão partido e partilhado por Jesus na última ceia narrada em Lucas 22

Devocional

Lucas 22: O Cálice Que Você Não Queria Beber

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Versículo-chave

Pai, se o Senhor quiser, afaste de mim este cálice. Porém, eu quero fazer a sua vontade, e não a minha.

Lucas 22:42 (ONBV)

Capítulo completo — Lucas 22

Lucas 22

ONBV

1Nesse tempo estava se aproximando a Páscoa, festa judaica durante a qual só se comia pão sem fermento. 2Os sacerdotes principais e os mestres da lei estavam planejando a morte de Jesus, tentando encontrar uma maneira de fazer isso sem provocar uma revolta, pois eles tinham medo do povo. 3Então Satanás entrou em Judas chamado Iscariotes, um dos Doze.

4E ele foi falar com os sacerdotes principais e com os oficiais da guarda do templo para discutir qual seria o melhor jeito de lhes entregar Jesus. 5Todos ficaram muito satisfeitos, naturalmente, de saber que ele queria ajudá-los e lhe prometeram uma recompensa. 6Então Judas começou a procurar uma boa oportunidade em que eles pudessem prender Jesus, quando o povo não estivesse em volta.

7Ora, chegou o dia da comemoração da Páscoa, quando o cordeiro da festa era morto e comido com o pão sem fermento. 8Então Jesus mandou Pedro e João na frente, para procurarem um lugar onde preparar a refeição da Páscoa. 9“Onde o Senhor quer que a gente vá e a prepare?”, perguntaram eles.

10Ele respondeu: “Logo que vocês entrarem na cidade, verão um homem que vai andando e carregando um pote de água. Sigam esse homem até a porta em que ele entrar. 11E digam ao dono da casa: O Mestre pergunta: Onde é o salão de hóspede onde poderei comer a refeição da Páscoa com os meus discípulos? 12Ele levará vocês ao andar superior, a um aposento espaçoso, todo mobiliado. Aquele é o lugar. Façam os preparativos ali”.

13Eles foram à cidade e acharam tudo tal como Jesus tinha dito, e prepararam a ceia da Páscoa. 14Então chegaram Jesus e os outros discípulos, e na hora certa todos se reuniram à mesa. 15E ele disse: “Eu estava esperando muito ansiosamente esta hora, desejoso de comer a refeição da Páscoa com vocês, antes de começar o meu sofrimento.

16Porque eu lhes digo: Não tornarei a comê-la até que ela se cumpra no Reino de Deus”. 17Ele tomou um cálice de vinho e, depois que deu graças, disse: “Tomem isto e partilhem entre vocês. 18Porque eu lhes digo que não beberei do fruto da videira outra vez até que venha o Reino de Deus”.

19A seguir ele pegou um pão; depois que deu graças, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: “Isto é o meu corpo, entregue por vocês. Comam dele em memória de mim”. 20Depois da ceia, Jesus tomou o cálice de vinho, dizendo: “Este cálice é a nova aliança do meu sangue, derramado em favor de vocês. 21“Mas aqui nesta mesa, entre nós, está o homem que me trairá.

22O Filho do Homem vai morrer. Isso faz parte do plano de Deus. Porém, ai do homem que o trai”. 23Os discípulos perguntavam então uns aos outros qual deles faria tal coisa. 24Depois começaram a discutir entre si quem deles era considerado o maior.

25Jesus lhes disse: “Neste mundo, os reis e os homens poderosos mandam os seus escravos para todos os lados e são chamados benfeitores! 26Mas entre vocês não deve ser assim. Ao contrário, o maior entre vocês deve ser como o menos importante; e o que manda deve ser como o que é mandado. 27Pois quem é o maior, o que se acomoda à mesa e é servido, ou o que serve? Claro que é o que está sentado à mesa. Mas entre vocês eu estou como quem serve.

28Contudo, por vocês terem continuado fiéis a mim durante as minhas provações, 29e como meu Pai me deu um Reino, eu dou a vocês o direito de participar do Reino, 30e de comer e beber à minha mesa naquele Reino e de sentar-se em tronos para julgar as doze tribos de Israel.

31“Simão, Simão, Satanás pediu vocês, para peneirá-los como trigo quando se separa a palha. 32Porém eu, em oração, supliquei por você, para que não lhe falte fé. Portanto, quando você tiver se arrependido e voltado a mim, fortaleça a fé dos seus irmãos”. 33Mas Simão disse: “Senhor, eu estou pronto a ir para a prisão, e até a morrer com o Senhor”.

34Mas Jesus disse: “Pedro, eu vou dizer uma coisa a você. Entre agora e amanhã de manhã, antes de o galo cantar, você me negará três vezes, afirmando que não me conhece”. 35Depois Jesus lhes perguntou: “Quando eu os mandei pregarem a boa-nova e vocês saíram sem dinheiro, sem sacola, ou sem sandálias, faltou-lhes alguma coisa?” “Nada”, responderam. 36“Mas agora”, disse ele, “peguem sacola, se tiverem, e também o seu dinheiro. E quem não tem espada, é melhor vender a sua capa e comprar uma!

37Pois chegou a hora de cumprir-se esta profecia a meu respeito: ‘Ele será condenado como um criminoso!’ Sim, tudo o que está escrito a meu respeito pelos profetas será cumprido”. 38“Mestre”, responderam eles, “temos aqui duas espadas conosco”. “É suficiente!”, disse ele. 39Então, acompanhado pelos discípulos, ele deixou a sala do andar superior e foi, como de costume, para o monte das Oliveiras.

40Ali, ele disse-lhes: “Orem a Deus para não serem vencidos pela tentação”. 41Ele afastou-se um pouco, ajoelhou-se e começou a oração: 42“Pai, se o Senhor quiser, afaste de mim este cálice. Porém, eu quero fazer a sua vontade, e não a minha”.

43Então apareceu um anjo do céu que o fortalecia, 44porque ele estava em tal agonia de espírito que começou a suar sangue, com gotas caindo ao chão enquanto orava cada vez mais fervorosamente. 45Finalmente, Jesus se levantou e voltou aos discípulos e os encontrou dormindo, cansados e dominados pela tristeza.

46“Por que estão dormindo?”, perguntou-lhes. “Levantem-se! Orem para que vocês não caiam em tentação”. 47Porém, mal ele acabara de dizer isso, aproximou-se uma multidão, conduzida por Judas, um dos Doze. Judas aproximou-se de Jesus e o beijou na face. 48Mas Jesus lhe perguntou: “Judas, com um beijo você está traindo o Filho do Homem?”

49Quando os outros discípulos viram o que estava para acontecer, disseram: “Senhor, podemos lutar? Nós trouxemos as espadas!” 50E um deles avançou contra o servo do sumo sacerdote, cortando sua orelha direita. 51Mas Jesus disse: “Não resistam mais”. E tocando na orelha do homem, ele o curou.

52Depois Jesus dirigiu-se aos sacerdotes principais, aos oficiais da guarda do templo e aos líderes religiosos que vinham à frente da multidão. “Por acaso estou chefiando uma rebelião”, perguntou ele, “para que vocês tenham vindo armados de espadas e cacetes para me apanhar? 53Por que não me prenderam no templo? Eu estava lá todos os dias! Porém esta é a hora de vocês — a hora do poder das trevas”. 54Então eles o prenderam e o conduziram à casa do sumo sacerdote, enquanto Pedro acompanhava tudo à distância.

55Os soldados acenderam uma fogueira no pátio e sentaram em volta para esquentar-se; Pedro uniu-se a eles ali. 56Uma criada viu Pedro à luz da fogueira e começou a olhar para ele. Por fim, ela disse: “Este homem estava com Jesus!” 57Mas Pedro negou! “Mulher”, disse ele, “eu não conheço esse homem!”

58Depois, um outro olhou para ele e disse: “Você deve ser um deles!” “Não, senhor, não sou!”, respondeu Pedro. 59Cerca de uma hora mais tarde, um outro homem afirmou: “Eu sei que este é um dos discípulos de Jesus, porque também é da Galileia”. 60Mas Pedro respondeu: “Homem, eu não sei do que você está falando”. E, logo que ele disse essas palavras, um galo cantou.

61Naquele momento, Jesus voltou o olhar para Pedro. Então Pedro lembrou-se da palavra que o Senhor lhe havia dito: “Hoje, antes que o galo cante, você me negará três vezes”. 62Então Pedro foi para fora do pátio, chorando amargamente. 63Nisso os guardas responsáveis por Jesus começaram a zombar dele.

64Tapavam seus olhos, davam-lhe socos e perguntavam: “Adivinhe, profeta, quem bateu em você?” 65E diziam muitas outras coisas para insultá-lo. 66Cedinho, na manhã seguinte, reuniu-se o Sinédrio, inclusive os sacerdotes principais e todos os mestres da Lei. Jesus foi conduzido à presença desse grupo.

67“Se você é o Cristo, diga-nos”, intimaram eles. Porém Jesus respondeu: “Se eu lhes disser, vocês não acreditarão em mim, 68nem me deixarão explicar nada. 69Mas de agora em diante o Filho do Homem se assentará à direita do Deus Todo-poderoso”.

70Eles gritaram: “Então você diz que é o Filho de Deus?” E ele respondeu: “São vocês que estão dizendo”. 71“Que necessidade temos de outras testemunhas?”, disseram eles, “pois nós mesmos ouvimos dos próprios lábios de Jesus!”

Observação

Enquanto Jesus sua sangue no jardim, seus amigos dormem. Na mesma noite em que ele reparte o pão e anuncia a própria morte, um discípulo negocia o preço da traição e outro jura lealdade até a prisão — e nenhum dos dois cumpre o que promete. Lucas 22 não esconde a fragilidade de ninguém.

No centro do capítulo, a oração de Getsêmani muda tudo: “Pai, se o Senhor quiser, afaste de mim este cálice. Porém, eu quero fazer a sua vontade, e não a minha” (v. 42). Jesus não recebe o sofrimento com frieza; ele pede para escapar. E, ainda assim, escolhe a vontade do Pai.

O cálice costura o capítulo inteiro: na ceia, ele é a nova aliança (v. 20); no jardim, é o que Jesus gostaria de afastar (v. 42). O mesmo copo que celebra o Reino carrega o gosto do sacrifício.

Enquanto isso, Pedro nega três vezes — e o detalhe mais cortante é um olhar: “Jesus voltou o olhar para Pedro” (v. 61). Antes de qualquer palavra, um olhar desmonta o homem forte que prometeu demais.

Aplicação para Vida

Minha oração costuma inverter a de Jesus: começo pedindo que Deus afaste o cálice e paro por aí. O versículo 42 me confronta com uma segunda frase — “porém, eu quero fazer a sua vontade” — que transforma o medo em entrega sem apagar o medo.

Render-se não anestesia a dor. Jesus suou sangue e recebeu a força de um anjo (v. 43-44); dizer “seja feita a tua vontade” não silencia a agonia, apenas a entrega a quem pode sustentá-la. Posso trazer o medo inteiro para Deus e, no mesmo fôlego, escolher confiar.

Também me alcança o contraste entre o sono dos discípulos e a vigília de Jesus (v. 45-46). Nos dias de maior tensão, minha tendência é fugir, anestesiar, adiar. Jesus pede o oposto: levantar e orar para não cair em tentação.

E há Pedro, alcançado pelo olhar de Jesus no exato instante do galo (v. 60-61). A volta já estava preparada antes da queda (v. 32). Quando eu falhar, o mesmo olhar que expõe também sustenta o retorno.

Oração

Pai, eu chego ao jardim com o sono dos discípulos: queria que esta noite passasse sem dor, sem cálice, sem vigília. E trago a oração que Jesus me ensinou, mas com a primeira parte engasgada na garganta.

“Afasta de mim este cálice” eu sei dizer. Ensina-me a completar a frase: “porém, não a minha, mas a tua vontade”. Que a entrega não vire pose nem resignação amarga, e sim confiança de filho nas mãos de quem enxerga além do Getsêmani.

E quando eu negar, dormir ou negociar traições pequenas, que o teu olhar me encontre como encontrou Pedro — para desmontar sem destruir, para corrigir sem desistir. Tu já oraste por mim antes mesmo de eu cair.

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