Eles animaram todos a continuar na fé, apesar da perseguição, lembrando a eles que deviam entrar no Reino de Deus através de muitos sofrimentos.
— Atos 14:22 (ONBV)
📜 Capítulo Completo — Atos 14▼
1 Em Icônio, Paulo e Barnabé foram juntos à sinagoga, como de costume, e pregaram com tal poder que muitos creram — tanto judeus como gentios.2 Mas os judeus que desprezaram a mensagem de Deus despertaram desconfiança contra Paulo e Barnabé entre os gentios.3 Apesar disso, eles ficaram lá um longo tempo, pregando corajosamente, e o Senhor dava provas de que a mensagem deles vinha mesmo de Deus, dando aos dois o poder de fazer grandes sinais e maravilhas.4 Mas o povo da cidade ficou dividido. Uns concordavam com os líderes judaicos, e outros apoiavam os apóstolos.5 Quando Paulo e Barnabé souberam de uma conspiração para provocar uma revolta de gentios e de judeus e seus líderes contra eles para maltratá-los e apedrejá-los,6 fugiram para salvar a vida, e foram para as cidades de Licaônia, Listra, Derbe e a região próxima,7 e pregaram a boa-nova por ali.8 Enquanto eles estavam em Listra, encontraram um homem paralítico dos pés, aleijado desde o nascimento, e que, por isso, nunca tinha andado.9 Ele estava ouvindo Paulo pregar. Quando Paulo olhou diretamente para ele e viu que ele tinha fé para ser curado,10 disse em alta voz: “Levante-se e fique em pé!” O homem pulou sobre os pés e começou a caminhar!11 Quando a multidão que ouvia Paulo viu o que ele tinha feito, gritou na língua licaônica: “Estes homens são deuses que vieram a nós em forma humana!”12 A conclusão deles era que Barnabé era o deus grego Júpiter, e que Paulo, por ser o principal orador, era Mercúrio!13 O sacerdote do templo local de Júpiter, situado na frente dos portões da cidade, trouxe carros cheios de flores para eles, oferecendo bois em sacrifício à porta do templo, diante do povo.14 Mas quando os apóstolos Barnabé e Paulo viram o que estava acontecendo, rasgaram as suas roupas e correram para o meio do povo, gritando:15 “Homens! Que estão fazendo? Nós somos simplesmente seres humanos como vocês! Nós viemos anunciar a boa-nova a vocês para que abandonem a adoração destas coisas sem valor e passem a orar ao Deus vivo que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles.16 Nos dias passados ele permitiu às nações seguirem os seus próprios caminhos,17 mas Deus nunca ficou sem testemunho; sempre houve as coisas que lembravam a existência dele — as coisas boas que ele fazia, tais como mandar a chuva do céu e boas colheitas no tempo certo e dar a vocês sustento com fartura e um coração cheio de alegria”.18 Mas, mesmo assim, só com muito custo Paulo e Barnabé conseguiram impedir que o povo oferecesse sacrifício a eles!19 Todavia, chegaram de Antioquia e Icônio alguns judeus, que mudaram o ânimo do povo. Eles apedrejaram Paulo e o arrastaram para fora da cidade, pensando que estivesse morto!20 Mas, enquanto os discípulos rodeavam Paulo, ele se levantou e entrou novamente na cidade! E no outro dia partiu com Barnabé para Derbe.21 Depois de pregar a boa-nova ali e de fazer muitos discípulos, eles voltaram a Listra, Icônio e Antioquia,22 fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na fé. Eles animaram todos a continuar na fé, apesar da perseguição, lembrando a eles que deviam entrar no Reino de Deus através de muitos sofrimentos.23 Paulo e Barnabé também nomearam presbíteros em cada igreja e oraram e jejuaram por eles, entregando todos aos cuidados do Senhor, em quem confiavam.24 Então viajaram de volta para a Panfília, através da Pisídia,25 pregaram outra vez em Perge e prosseguiram para Atália.26 De Atália voltaram de navio para Antioquia, onde a viagem deles tinha começado, e onde tinham sido consagrados a Deus para a obra que agora estava terminada.27 Ao chegar, eles convocaram a igreja e deram um relatório da viagem, contando como Deus tinha aberto a porta da fé aos gentios.28 E permaneceram lá com os discípulos de Antioquia durante um longo tempo.
ONBV
🔍 Observação
Um homem que nunca andou pula de pé ao ouvir uma ordem (v.10). A multidão muda de idioma, grita em licaônico: “Estes homens são deuses que vieram a nós em forma humana” (v.11). Barnabé vira Júpiter, Paulo vira Mercúrio, e o sacerdote corre com flores e bois para o sacrifício (v.12-13).
Os dois apóstolos respondem rasgando as roupas — o gesto oposto ao culto. “Nós somos simplesmente seres humanos como vocês” (v.15). A glória pertence ao Deus vivo que fez céu, terra e mar e que nunca ficou sem testemunho, mandando chuva, colheita e sustento (v.15-17).
O texto vira num fôlego. Chegam judeus de Antioquia e Icônio, mudam o ânimo do povo, e a mesma gente que quis sacrificar agora apedreja Paulo e o arrasta para fora da cidade, dando-o por morto (v.19).
Enquanto os discípulos o rodeiam, ele se levanta e volta a entrar na cidade (v.20). O capítulo deságua na frase que ele repete por Listra, Icônio e Antioquia: entramos no Reino “através de muitos sofrimentos” (v.22).
💡 Aplicação para Vida
O aplauso e a pedra vêm da mesma boca. Paulo experimenta as duas coisas no mesmo capítulo e não se deixa governar por nenhuma.
Quando me tratam como deus — elogio, promoção, admiração — a tentação é aceitar a coroa e assinar o altar. Quando me apedrejam, a tentação é ficar estendido fora da cidade, colecionando as marcas.
A fé de Atos 14 tem um centro firme: “somos simplesmente seres humanos” (v.15). Quem sabe disso não rouba a glória de Deus no sucesso, e também não desaba na derrota, porque a identidade não depende de nenhuma das duas.
Levantar depois das pedras (v.20) não é heroísmo próprio; é a continuidade de uma missão que não era dele. O Reino avança “através de muitos sofrimentos” (v.22). As pedras fazem parte do caminho, não do fim.
🙏 Oração
Senhor, eu gosto da parte em que o paralítico pula. Quero pular também, e quero que a multidão veja. Esse desejo é a minha Listra.
Tu me chamas para o chão antes de me chamar para o altar. Rasga em mim a roupa do espetáculo; deixa claro que sou pó, “simplesmente humano” (v.15), e que nenhuma flor, nenhum boi, nenhuma plateia me pertence.
E quando vier a pedra, que eu me levante como Paulo — não para provar que sou forte, mas porque a missão continua. Ensina-me a contar os sofrimentos como porta, e não como muralha (v.22).
Que eu entre na cidade de novo, entre uma Listra e outra, sustentado pelos irmãos que me rodeiam (v.20). Até Antioquia, até a prestação de contas, até a obra terminada.
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