Cruz de madeira silhuetada contra um céu de pôr do sol em tons dourados e laranja sobre colinas, evocando a crucificação de Jesus narrada em Lucas 23
📖 Devocional

Lucas 23: O Inocente Que Abriu o Paraíso ao Culpado

7 de agosto de 2026 · ⏱️ 4 min de leitura
Versículo-Chave
Eu afirmo a você: Hoje você estará comigo no paraíso.
— Lucas 23:43 (ONBV)
📜 Capítulo Completo — Lucas 23
1 Então resolveram levar Jesus ao governador Pilatos. 2 Começaram logo a acusá-lo: "Ele tem levado o nosso povo à ruína, dizendo que não pague seus impostos a César e alegando ser ele mesmo o Cristo, o rei". 3 Então Pilatos perguntou-lhe: "Você é o rei dos judeus?" "É o senhor quem está dizendo", respondeu Jesus. 4 Depois Pilatos voltou-se para os sacerdotes principais e a multidão, e disse: "Não vejo nesse homem nenhum motivo de acusação!" 5 Mas eles insistiram: "Acontece que ele está provocando revoltas contra o governo nos diversos lugares aonde vai, em toda a Judeia, na Galileia e agora aqui!" 6 "Então ele é galileu?", perguntou Pilatos. 7 Quando eles disseram que sim, Pilatos ordenou que o levassem ao rei Herodes, porque a Galileia estava sob o comando de Herodes. Acontece que Herodes estava em Jerusalém naqueles dias. 8 Herodes ficou alegre com a oportunidade de ver Jesus, porque tinha ouvido falar a seu respeito e esperava vê-lo realizar um milagre. 9 Ele fez a Jesus uma pergunta atrás da outra, mas não obteve nenhuma resposta. 10 Enquanto isso, os sacerdotes principais e os mestres da lei permaneciam ali gritando suas acusações. 11 Então Herodes e seus soldados começaram a zombar dele e a ridicularizá-lo. Vestiram nele um manto real e o mandaram de volta a Pilatos. 12 Naquele dia Herodes e Pilatos — que antes eram inimigos — tornaram-se amigos. 13 Então Pilatos reuniu os sacerdotes principais e as outras autoridades judaicas, juntamente com o povo, 14 e anunciou sua sentença: "Vocês me trouxeram este homem acusando-o de provocar uma revolta contra o governo. Eu o interroguei na presença de vocês e não encontro nenhuma base para as acusações que fazem contra ele. 15 Herodes chegou à mesma conclusão e o devolveu a nós. Nada do que este homem tem feito merece a pena de morte. 16 Portanto, eu mandarei açoitá-lo e o soltarei". 17 Na Festa da Páscoa, Pilatos tinha o costume de soltar um preso, a pedido do povo. 18 Mas nesse momento um poderoso clamor levantou-se da multidão, como se fosse uma só voz: "Mate-o, e solte-nos Barrabás!" 19 Barrabás estava na prisão por ter começado em Jerusalém uma revolta contra o governo e por ter praticado um assassinato. 20 Pilatos discutia com eles, porque queria soltar Jesus. 21 Porém eles continuavam gritando: "Crucifique! Crucifique!" 22 Pela terceira vez, ele perguntou: "Por quê? Que crime ele cometeu? Eu não achei razão nenhuma para condená-lo. Portanto, será castigado e solto". 23 Porém eles gritavam cada vez mais alto pedindo a morte de Jesus. E o pedido deles prevaleceu. 24 Portanto, Pilatos sentenciou Jesus à morte conforme a vontade daquelas pessoas. 25 E soltou Barrabás, o homem preso por revolta e assassinato, a pedido deles. Mas entregou-lhes Jesus, para fazerem com ele o que quisessem. 26 Enquanto a multidão estava levando Jesus para a morte, Simão de Cirene, que estava naquela hora chegando do campo, foi obrigado a carregar a cruz de Jesus. 27 Grandes multidões o seguiam, e muitas mulheres, que lamentavam e choravam por ele. 28 Mas Jesus voltou-se e lhes disse: "Filhas de Jerusalém, não chorem por mim, mas por vocês mesmas e por seus filhos. 29 Porque estão chegando dias em que vocês dirão: 'Felizes as mulheres que não tiverem filhos, os ventres que nunca geraram e os seios que nunca amamentaram'. 30 Nesses dias, 'todos dirão às montanhas: "Caiam em cima de nós!" e dirão às colinas: "Cubram-nos!" ' 31 Pois, se fazem estas coisas à árvore verde, o que não farão quando ela estiver seca?" 32 Outros dois, que eram criminosos, foram conduzidos para fora, a fim de serem executados com Jesus. 33 Quando chegaram ao lugar chamado Caveira, ali todos os três foram crucificados — Jesus na cruz do meio, e os dois criminosos, um de cada lado. 34 Jesus disse: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que estão fazendo". Os soldados tiraram sortes sobre a roupa dele, jogando dados para cada peça. 35 A multidão olhava. E os líderes riam e caçoavam dele. "Ele foi tão bom salvando os outros", diziam, "vamos ver se ele se salva a si mesmo, se é o Cristo de Deus, o Escolhido". 36 Os soldados também caçoavam dele, oferecendo-lhe vinagre para beber. 37 E lhe diziam: "Se você é de fato o rei dos judeus, salve-se a si mesmo!" 38 Na cruz, por cima dele, estava escrito: "ESTE É O REI DOS JUDEUS". 39 Um dos criminosos ao lado zombava: "Então você é o Cristo, não é? Prove isso, salvando-se a si mesmo e a nós também!" 40 Mas o outro criminoso o repreendeu, dizendo: "Você não teme a Deus, nem estando sob a mesma sentença? 41 Nós merecemos morrer pelos nossos crimes, mas este homem não cometeu nenhum mal". 42 E em seguida disse: "Jesus, lembre-se de mim quando o Senhor entrar em seu Reino". 43 E Jesus respondeu: "Eu afirmo a você: Hoje você estará comigo no paraíso". 44 A esta altura era meio-dia, e a escuridão cobriu toda a terra até as 3 horas da tarde. 45 A luz do sol desapareceu — e de repente o véu do santuário rasgou-se no meio. 46 Nessa hora Jesus gritou em alta voz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito", e, com estas palavras, morreu. 47 Quando o centurião que dirigia as execuções viu o que tinha acontecido, louvou a Deus e disse: "Verdadeiramente este homem era inocente". 48 E a multidão que veio para ver a crucificação, quando viu que Jesus estava morto, começou a bater no peito e a afastar-se. 49 Enquanto isso, os amigos de Jesus, incluindo as mulheres que o seguiram desde a Galileia, estavam olhando de longe, observando essas coisas. 50 Havia um homem chamado José, membro do Conselho, homem bom e justo, 51 que não concordava com a decisão e os atos dos outros líderes judaicos. Ele era de Arimateia, na Judeia, e esperava a vinda do Reino de Deus. 52 José foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. 53 Assim ele desceu o corpo de Jesus da cruz e o enrolou numa longa peça de linho, colocando o corpo num sepulcro novo, cavado na rocha, que ainda não havia sido usado. 54 Isso foi feito bem à tardinha, na sexta-feira, o Dia da Preparação; e estava para começar o sábado. 55 As mulheres da Galileia seguiram José e viram o sepulcro, e como o corpo de Jesus fora carregado para dentro do sepulcro. 56 Dali elas foram para casa e prepararam perfumes para embalsamar o corpo. E descansaram no sábado, conforme o mandamento da lei dos judeus.
ONBV

🔍 Observação

Três tribunais examinaram Jesus naquela manhã e nenhum achou culpa. Pilatos declarou inocência três vezes (vv.4, 14, 22), Herodes devolveu o caso sem condenação (v.15) e o centurião, no fim da tarde, resumiu tudo: “Verdadeiramente este homem era inocente” (v.47). Mesmo assim, a sentença foi a morte. A justiça do império reconheceu a inocência e a entregou à cruz no mesmo dia — e ninguém pareceu notar a contradição, exceto um ladrão moribundo.

A multidão fez a escolha com uma só voz (v.18): soltem Barrabás, o homem preso por revolta e assassinato, e matem o galileu que andou curando e perdoando gente como ela. Pilatos, o homem mais poderoso da província, acabou fazendo o que o povo gritava; Herodes, que queria ver um milagre, recebeu silêncio e respondeu com zombaria (vv.8-11). Os poderosos entregaram o poder à multidão, e a multidão escolheu o assassino.

Na cruz, Jesus abre a boca três vezes: para perdoar os que o matam (v.34), para prometer o paraíso a um condenado (v.43) e para entregar o espírito ao Pai (v.46). Os líderes zombam com teologia — “Se é o Cristo de Deus, salve-se a si mesmo” (v.35) — e o primeiro ladrão repete a piada. Mas o segundo vê o que ninguém viu: um rei. “Jesus, lembre-se de mim quando o Senhor entrar em seu Reino” (v.42), e recebe a resposta mais ousada de todo o evangelho: “Hoje você estará comigo no paraíso” (v.43).

O capítulo termina em silêncio. Escuridão ao meio-dia, o véu rasgado no meio (v.45), José de Arimateia pedindo o corpo ao governador e as mulheres preparando perfumes para um morto (vv.50-56). Nenhuma ressurreição ainda, nenhum anjo, nenhum aleluia. Apenas um sepulcro novo, cavado na rocha, e um sábado de descanso. Lucas não tem pressa: ele deixa a história respirar antes do capítulo vinte e quatro.

💡 Aplicação para Vida

Eu sou Barrabás. Esta é a leitura mais desconfortável do capítulo: o culpado solto, o inocente executado no lugar dele. A multidão não sabia, mas estava realizando a troca que o evangelho inteiro anuncia — alguém ocupou o meu lugar na condenação. Não dá para ler o versículo vinte e cinco e sair do mesmo jeito: “Entregou-lhes Jesus, para fazerem com ele o que quisessem”. O que fizeram com ele, eu deveria ter recebido.

O segundo ladrão merece atenção porque reconheceu, no pior cenário possível, o que os poderosos não viram em tribunal. Pendurado e morrendo, ele percebeu que o homem ao lado era um rei e que o reino dele ficava além daquela colina. A fé dele não tinha evidências — tinha uma convicção: “este homem não cometeu nenhum mal” (v.41). Há reconhecimentos que só acontecem no limite, quando as opções acabam e sobra apenas uma pergunta: quem é esse que está ao meu lado na minha morte?

Pilatos tinha o poder de soltar e não soltou; Herodes queria um espetáculo e recebeu silêncio. Os dois perderam o encontro com Deus porque esperavam outra coisa dele — uma manobra, um argumento, um milagre sob encomenda. Eu faço o mesmo quando procuro em Jesus o que ele não veio ser: um garantidor de conforto, um resolvedor de problemas imediatos. O Jesus de Lucas 23 não desce da cruz para convencer ninguém; ele fica ali e converte um ladrão.

Por fim, há a companhia discreta do fim do capítulo: José, que discordou do Conselho e pediu o corpo; as mulheres, que seguiram o cortejo e viram o sepulcro; o sábado guardado conforme a lei. Eles ainda não viram a ressurreição. Serviram a um morto, esperaram o sábado acabar e voltaram com perfumes na manhã seguinte. A obediência que precede o milagre é essa: fazer o que é certo para um Deus que parece ausente, até que o domingo amanheça.

🙏 Oração

Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito — a frase que Jesus disse na cruz e que eu repito hoje com menos coragem e mais apego do que ele. Ensina-me a soltar o que aperto como se fosse meu e eterno, e a confiar que as tuas mãos seguram o que as minhas não conseguem.

Eu sou o ladrão da direita: cheguei até aqui sem mérito para oferecer, com um pedido que nem sei se tenho o direito de fazer — lembra-te de mim. Tu disseste “hoje” a um homem que tinha horas de vida. Diz “hoje” também para mim, que ainda tenho anos e insisto em adiar a rendição.

E quando a minha história parecer um sepulcro fechado, um sábado sem solução, dá-me a paciência das mulheres: servir-te mesmo sem ver resposta, preparar os perfumes e esperar o domingo. Amém.

Link copiado!
🔔Receba notificações quando houver novo devocional