Raios de sol atravessando a copa de árvores em uma floresta ao amanhecer, simbolizando a luz que irrompe quando a fé persiste — como o cego de Jericó que gritou até Jesus parar, como a viúva que insistiu até receber justiça, como o publicano que não ousava levantar os olhos mas voltou para casa justificado
📖 Devocional

Lucas 18: Grite Até Ele Parar

17 de julho de 2026 · ⏱️ 4 min de leitura
Versículo-Chave
Jesus, Filho de Davi, tenha misericórdia de mim!
— Lucas 18:38 (ONBV)
📜 Capítulo Completo — Lucas 18
1 Um dia Jesus contou aos seus discípulos uma parábola para mostrar a necessidade que eles tinham de orar sempre, e que deviam continuar orando sem desanimar. 2 Ele disse: "Havia numa cidade um juiz, homem muito mau, que não temia a Deus e que fazia pouco caso de todos. 3 Uma viúva daquela cidade vinha frequentemente suplicar justiça contra um homem que lhe havia causado prejuízos. 4 "O juiz não fez caso dela durante algum tempo, mas finalmente ele disse a si mesmo: 'Eu não temo a Deus nem os homens, 5 porém esta mulher está me incomodando. Vou fazer-lhe justiça, pois está me cansando com as suas queixas constantes!' " 6 Então o Senhor disse: "Prestem atenção naquilo que aquele juiz desonesto disse. 7 Vocês não acham que Deus fará justiça ao seu povo, que lhe suplica dia e noite? Será que ele vai demorar para ajudá-lo? 8 Eu afirmo a vocês que ele lhes responderá depressa! Mas a questão é: Quando o Filho do Homem voltar, será que encontrará fé na terra?" 9 Depois ele contou uma parábola a alguns que se orgulhavam das suas boas qualidades e desprezavam as outras pessoas: 10 "Dois homens foram ao templo orar. Um deles era um fariseu e o outro um cobrador de impostos. 11 Em pé, o fariseu orava assim: 'Eu lhe agradeço, ó Deus, porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; especialmente como aquele cobrador de impostos ali! 12 Jejuo duas vezes por semana e dou a Deus o dízimo de tudo quanto ganho'. 13 "Mas o cobrador de impostos ficou em pé de longe e não tinha coragem nem de levantar os olhos ao céu quando orava, porém batia no peito e exclamava: 'Ó Deus, tenha misericórdia de mim, um pecador!' 14 "Eu lhes digo que este, e não o fariseu, voltou para casa perdoado! Porque quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado". 15 Um dia algumas mães trouxeram suas criancinhas para que Jesus tocasse nelas e as abençoasse. Mas os discípulos as repreendiam. 16 Então Jesus chamou as criancinhas para junto de si e disse aos discípulos: "Deixem as crianças vir a mim! Pois o Reino de Deus pertence àqueles que são semelhantes a elas. 17 Eu afirmo a vocês: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele". 18 Certa vez um líder religioso judeu fez-lhe esta pergunta: "Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?" 19 "Por que você me chama bom?", perguntou-lhe Jesus. "Só Deus é verdadeiramente bom, ninguém mais. 20 Mas quanto à sua pergunta, você conhece os mandamentos que dizem: 'Não cometa adultério, não mate, não furte, não dê falso testemunho, honre seu pai e sua mãe'?" 21 O homem respondeu: "Eu tenho obedecido a cada uma dessas leis desde minha infância". 22 Ao ouvir isso, disse Jesus: "Há uma coisa ainda que lhe falta. Venda tudo o que tem e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois venha e siga-me". 23 Mas, quando o homem ouviu isso, foi-se embora triste, porque era muito rico. 24 Jesus ficou olhando para ele com tristeza e disse aos seus discípulos: "Como é difícil para os ricos entrarem no Reino de Deus! 25 É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!" 26 Aqueles que o ouviram dizer isso exclamaram: "Se é tão difícil assim, como pode alguém ser salvo?" 27 Ele respondeu: "O que é impossível para os homens é possível para Deus!" 28 E Pedro disse: "Nós deixamos nossas casas e famílias para segui-lo". 29 Respondeu Jesus: "Eu afirmo a vocês a verdade: Todo aquele que tiver feito como vocês, deixando casa, esposa, irmãos, pais ou filhos por causa do Reino de Deus, 30 receberá agora uma recompensa muitas vezes maior, e, na era futura, a vida eterna". 31 Reunindo os Doze ao seu redor, Jesus lhes disse: "Como vocês sabem, nós estamos subindo para Jerusalém. E, quando chegarmos lá, todas as profecias dos antigos profetas a respeito do Filho do Homem se cumprirão. 32 Ele será entregue nas mãos dos gentios para ser zombado, maltratado, cuspido, açoitado e morto. 33 Mas ao terceiro dia ele ressuscitará". 34 Porém os discípulos não entenderam nenhuma palavra do que ele dizia; porque o significado das palavras era difícil para eles entenderem. 35 Quando se aproximaram de Jericó, um cego estava sentado à beira da estrada, pedindo esmola. 36 Ouvindo o barulho de uma multidão passando, perguntou o que estava acontecendo. 37 Disseram-lhe: "Jesus de Nazaré está passando". 38 Então ele começou a clamar: "Jesus, Filho de Davi, tenha misericórdia de mim!" 39 O povo que ia na frente de Jesus tentou fazer o homem ficar quieto, mas ele gritava ainda mais alto: "Filho de Davi, tenha misericórdia de mim!" 40 Quando Jesus chegou ao local, parou e ordenou que o homem fosse trazido. Quando ele chegou perto, Jesus perguntou-lhe: 41 "O que quer que eu faça a você?" "Senhor", suplicou ele, "eu quero ver!" 42 E Jesus disse: "Está bem, comece a ver! Sua fé o curou!" 43 Imediatamente o homem começou a enxergar, e seguia a Jesus, louvando a Deus. E todo o povo que viu isso acontecer também louvou a Deus.
ONBV

🔍 Observação

Cinco cenas, uma pergunta pairando sobre todas elas: quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé na terra? Lucas 18 não é uma coletânea aleatória de ensinos. É um laboratório de aproximação — cinco retratos de gente se achegando a Deus (ou fracassando na tentativa), e Jesus observando cada movimento como quem procura algo específico.

A viúva não tem advogado, não tem dinheiro, não tem ninguém. Tem só a boca. E ela a usa até o juiz corrupto ceder de puro cansaço. Jesus não está elogiando o juiz — está contrastando: se até um homem mau responde à insistência, quanto mais o Deus justo. Mas a pergunta final corta o ar: “Será que encontrará fé na terra?” Não é sobre Deus responder. É sobre nós continuarmos pedindo.

O publicano e o fariseu sobem ao templo. Um fala de si mesmo olhando para o céu; o outro fala de si mesmo olhando para o chão. O fariseu tem currículo impecável — jejum, dízimo, pureza ritual. O publicano tem apenas cinco palavras. Mas Jesus diz que só um voltou justificado. A diferença não está no que fizeram, mas no que reconheceram. O fariseu comparou-se horizontalmente e saiu satisfeito. O publicano comparou-se verticalmente e saiu quebrado. Deus prefere o quebrado.

O jovem rico faz a pergunta certa — “que farei para herdar a vida eterna?” — e recebe a resposta que não queria. Ele guardava mandamentos desde menino, mas guardava também outra coisa: seus bens. Jesus mira exatamente no que ele não queria largar. O homem vai embora triste. Jesus fica olhando para ele com tristeza. Duas tristezas que não se encontram. E então o clímax: o cego de Jericó. Ele não enxerga nada, mas entende tudo. A multidão tenta silenciá-lo — “fica quieto, Jesus está ocupado, você é só um mendigo”. Ele grita mais alto. Jesus para.

💡 Aplicação para Vida

O que une a viúva, o publicano e o cego é uma qualidade que o fariseu e o jovem rico não tinham: eles sabiam que não tinham nada a oferecer. A viúva não alegou mérito — alegou necessidade. O publicano não apresentou currículo — apresentou culpa. O cego não negociou — gritou. A fé que Jesus procura não é sofisticada. É desesperada.

Confesso que me pareço mais com o fariseu do que gostaria. Não na oração arrogante do templo, mas na tentação sutil de comparar minha caminhada com a dos outros e concluir que estou bem. O fariseu jejuava, dizimava, frequentava o templo — tudo certo, tudo externo. Mas saiu de lá igual a como entrou. O publicano entrou carregando vergonha e saiu carregando perdão. A diferença entre os dois não estava no pecado cometido, mas na honestidade confessada.

O jovem rico me assombra porque ele quase ficou. Ele veio correndo, se ajoelhou, fez a pergunta certa. Jesus olhou para ele com amor — o único momento nos evangelhos em que se diz que Jesus amou alguém antes de fazer um chamado radical. E ainda assim ele foi embora. Há tristezas que escolhemos carregar. Riquezas que preferimos manter. O “bom” que ele chamou Jesus esbarrou no “bom” que ele pensava ser.

O cego de Jericó me ensina que a melhor oração é a que continua quando mandam calar a boca. A multidão era religiosa, estava seguindo Jesus, mas queria silenciar o necessitado. Quantas vozes internas fazem o mesmo comigo: “Não ore sobre isso de novo, já pediu ontem. Não insista, Deus já ouviu. Não seja inconveniente.” O cego não se importou com a etiqueta. Ele queria ver. E Jesus parou. O Filho de Deus, a caminho de Jerusalém para morrer, parou por causa de um grito.

🙏 Oração

Não quero ser o fariseu que sai do templo igual. Não quero ser o jovem rico que vai embora triste porque preferiu o que tinha ao que poderia receber. Mas também confesso que minha oração muitas vezes parece mais um relatório do que um clamor — organizada, previsível, segura.

Ensina-me a orar como quem não tem mais nada. Como a viúva que bateu na porta até a mão doer. Como o publicano que não conseguia olhar para cima mas encontrou o céu no chão. Como o cego que não deixou ninguém roubar o momento em que a luz passava perto dele.

Hoje eu grito de novo. Pelas coisas que ainda não chegaram. Pelas respostas que parecem demorar. Pela fé que às vezes oscila. Não porque eu mereça, mas porque o Senhor para quando alguém grita de verdade. E se o Senhor parou por um mendigo cego à beira da estrada, também para por mim.

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